quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie

Em primeiro lugar, eu condeno os atentados do dia do 7 de janeiro. Apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou um cara pacífico. A última vez que me envolvi em uma briga foi aos 13 anos (e apanhei feito um bicho). Não acho que a violência seja a melhor solução para nada. Um dos meus lemas é a frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobramos sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro. Ninguém merece. A morte é a sentença final, não permite que o sujeito evolua, mude. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem.

Após o atentado, milhares de pessoas se levantaram no mundo todo para protestar contra os atentados. Eu também fiquei assustado, e comovido, com isso tudo. Na internet, surgiu o refrão para essas manifestações: Je Suis Charlie. E aí a coisa começou a me incomodar.

A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970 e identificada com a esquerda pós-68. Não vou falar de toda a trajetória do semanário. Basta dizer que é mais ou menos o que foi o nosso Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita européia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais...

O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet – críticas que foram resolvidas com a saída dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã – ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011.

Uma pausa para o contexto. A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou. Já ouvi de pessoas que saíram de um restaurante “com medo de atentado” só porque um árabe entrou. Lembro de ter lido uma pesquisa feita há alguns anos (desculpem, não consegui achar a fonte) em que 20 currículos iguais eram distribuídos por empresas francesas. Eles eram praticamente iguais. A única diferença era o nome dos candidatos. Dez eram de homens com sobrenomes franceses, ou outros dez eram de homens com sobrenomes árabes. O currículo do francês teve mais que o dobro de contatos positivos do que os do candidato árabe. Isso foi há alguns anos. Antes da Frente Nacional, partido de ultra-direita de Marine Le Pen, conquistar 24 cadeiras no parlamento europeu...

De volta à Charlie Hebdo: Ontém vi Ziraldo chamando os cartunistas mortos de “heróis”. O Diário do Centro do Mundo (DCM) os chamou de“gigantes do humor politicamente incorreto”. No Twitter, muitos chamaram de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.

O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. (Isso gera situações interessantes, como o filme A Mensagem – Ar Risalah, de 1976 – que conta a história do profeta sem desrespeitar esse dogma – as soluções encontradas são geniais!). Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a estátua de Nossa Senhora para atacar os católicos. O Charlie Hebdo publicou a seguinte charge:


Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. Ok, o catolicismo foi banalizado. Mas isso aconteceu de dentro pra fora. Não nos foi imposto externamente. Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses – famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerâmcia (ver Caso Dreyfus) – deram ganho de causa para a revista. Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã.

Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência (quantos trocadilhos com “matar” e “explodir”...). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam...



E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Se a piada é preconceituosa, ela transmite o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas.

No artigo do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira diz: “Existem dois tipos de humor politicamente incorreto. Um é destemido, porque enfrenta perigos reais. O outro é covarde, porque pisa nos fracos. Os cartunistas do jornal francês Charlie Hebdo pertenciam ao primeiro grupo. Humoristas como Danilo Gentili e derivados estão no segundo.” Errado. Bater na população islâmica da França é covarde. É bater no mais fraco.

Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus. Isso me lembra o já citado gênio do humor (sqn) Danilo Gentilli, que dizia ser alvo de racismo ao ser chamado de Palmito (por ser alto e branco). Isso é canalha. Em nossa sociedade, ser alto e branco não é visto como ofensa, pelo contrário. E – mesmo que isso fosse racismo – isso não daria direito a ele de ser racista com os outros. O fato do Charlie Hebdo desrespeitar outras religiões não é atenuante, é agravante. Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.

“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.

“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados – como o racismo ou a homofobia – isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim.

Por coincidência, um dos assuntos mais comentados do dia 6 de janeiro – véspera dos atentados – foi a declaração do comediante Renato Aragão à revista Playboy. Ao falar das piadas preconceituosas dos anos 70 e 80, Didi disse: “Mas, naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam.”. Errado. Muitos se ofendiam. Eles só não tinham meios de manifestar o descontentamento. Naquela época, tão cheia de censuras absurdas, essa seria uma censura positiva. Se alguém tivesse dado esse toque nOs Trapalhões lá atrás, talvez não teríamos a minha geração achando normal fazer piada com negros e gays. Perderíamos algumas risadas? Talvez (duvido, os caras não precisavam disso para serem engraçados). Mas se esse fosse o preço para se ter uma sociedade menos racista e homofóbica, eu escolheria sem dó. Renato Aragão parece ter entendido isso. 

Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis.

Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada” (grifo meu). Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até... charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados – um deles com granadas! - nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos” – e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro de ontem, eu não sou Charlie. No twitter, um movimento – muito menor do que o #JeSuisCharlie – começa a surgir. Ele fala do policial, muçulmano, que morreu defendendo a “liberdade de expressão” para os cartunistas do Charlie Hebdo ofenderem-no. Ele representa a enorme maioria da comunidade islâmica, que mesmo sofrendo ataques dos cartunistas franceses, mesmo sofrendo o ódio diário dos xenófobos e islamófobos, repudiaram o ataque. Je ne suis pas Charlie. Je suis Ahmed.

575 comentários:

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    1. Então o Lula devia mandar matar quem o chamou de bêbado e ladrão? E as sátiras feitas pelos árabes mostrando Hitler na cama com Anne Frank e outra mostrando os judeus bebendo sangue de criancinhas? A gente pode não gostar, reclamar, processar mas nunca matar com suas próprias mãos..e é isto que só os muçulmanos fanáticos insuflados por seus lideres fazem.

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    2. "A morte é a sentença final, não permite que o sujeito evolua, mude. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem."
      Espero que o Islã mude como a igreja catolica mudou

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    3. Excelente texto!!! Apenas dicordo da parte na qual vc fala da censura...pq, veja bem, onde existe discurso de ódio não há direito...onde não há direito, não pode haver censura!

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    4. Aplaudi de pè o seu texto.
      A xenefobia è medonhamente cada vez mais crescente aqui na EU.
      Eu moro na Bèlgica e cansei de ver tudo isso o que você falou.
      Jà tive vàrias discussões com amigos belgas que generalizam sobre os mulçumanos e na hora que veem alguma mulher de vèu na cabeça ou um homem de turbante, jà falam em terrorismo.
      Eles são sim um povo marginalizado, subjulgado, não tem chances de integração social porque são o tempo todo mal vistos pela cor da pele, pela vestimenta e cultura diferente. Não basta ter nascido aqui, falar a lìngua perfeitamente (lìngua mãe, claro!). Não. São julgamos pela cor da pele. E quando eles dizem " mas sou cidadão europeu" - as pessoas se assustam ou riem. Eu cansei de ver cenas assim.
      Não me assusta que a maioria desses radicais fundamentalistas são nascidos aqui na Europa e se tornaram radicais na adolescência.
      Je ne suis pas Charlie!

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    5. Eu sou Charlie. La revista NO SOLO se burlaba del islam. También hubo caricaturas fuertísismas con rabinos, curas, políticos. En democracia debes aceptar que lo que es importante para uno, para otros puede no serlo. Y se pueden reir de tu ideología, tu líder político favorito, tus creencias... Si se comienza a darle cabida a ideas como "esta caricatura me ofende. Retírenla" se llegaría a la muerte de cualquier crítica social. Ya no faltará el político, o su partidario, el perteneciente a que se yo, cual secta religiosa a mandar que se puede y que no se puede criticar. Sería el comienzo del fín de la libertad de expresión.

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    1. Boa mesmo é a sua né...

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    2. Gente, eu não ligo! Não briguem! =D

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    3. viva a liberdade de express]ao kkkkkk

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    4. Pois é, Michele. Pena q o Philippe Val, ex-editor da Charlie Hebdo não presava tanto essa liberdade de expressão e demitiu a jornalista que discordou da abordagem islamofóbica...

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    5. A boa e velha lógica do corno que pega a mulher em ato de traição e culpa o sofá. Genial. A culpa é dos cartunistas e da intolerância opressora francesa. Merece uma bolsa na USP.

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    6. Você entendeu errado, Bruno. Em nenhum momento ele disse que a culpa pelo atentado é dos chargistas. Ele apenas provocou o pensamento de que, quem morre, nem sempre é santo e que nem todo islamita é terrorista. A culpa do atendado continua sendo de quem o cometeu. E é triste. Assim como a culpa da islamofobia crescente na europa é, também, do semanário. E também é triste.

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    7. Nossa, é tão difícil assim ler o texto?

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    8. Este comentário foi removido pelo autor.

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    9. Desculpe, mas por trás de toda a retórica, essa é a mensagem nas entrelinhas. E isso fica claro pelos outros exemplos dados pelo autor. Tenho saudades do tempo em que Didi fazia piadas sobre bêbados, homossexuais e portugueses e o mundo não caía por causa disso. Os cartunistas assassinados não são santos. E jamais reivindicariam beatificação. Tampouco pode-se generalizar todos os muçulmanos como terroristas. É evidente que seguir uma religião que dá margem, de acordo com a interpretação, para decapitações e explosões dificulta um pouco a compreensão do resto do mundo. Mas há momentos em que as coisas são claras. E muita masturbação mental não ajuda nada.

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    10. Bruno, um ato injusto, cometido contra um injusto, o transforma em justo? Claro que não!

      Seu pensamento é simplista, nos termos de "quem não está comigo, está contra mim". O texto apenas alerta para que não se transformem em "santos" esses cartunistas que ofendiam e incitavam o ódio gratuitamente.

      Pensar não faz mal.

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    11. Concordo Bruno Goudet..Lamentável esse texto!

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    12. O autor deixa claro diversas vezes o intuito do texto e ainda tem gente que vem chamar o texto de lamentável? Não tem nada nas entrelinhas, o texto é 100% explícito, não precisa nem ter boa interpretação de texto. Ninguém é a favor da violência, o fato é que o jornal não é santo, visto que usava o humor para pregar o ódio a uma minoria. É a mesma coisa que piadas de loiras, negros e afins que rolam aqui no Brasil. Humor bom não precisa menosprezar uma classe. É o humor burro que faz uso desses artifícios. Quando existe um problema na sociedade e o dito humorista vai lá e coloca mais lenha na fogueira, isso é humor burro. É só esse o ponto do autor. Ninguém tem que morrer por isso, mas na mídia se exalta muito apenas o ato de terrorismo em si. O artigo em questão é apenas uma forma de entender melhor o outro lado - e questionar até que ponto isso é "humor" de fato.

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    13. Muito bem Nicholas Pufal, Vitor Sales e Beto Campos. O texto é muito bom! Poderia dar uma equilibrada nos ânimos, mas tem gente que quebra mas não verga.

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  3. Saldanha, eu discordo mais que concordo contigo. Prego uma dessacralização avassaladora e irrestrita! Focando é claro no ocorrido no jornal.

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    1. Cara, se fosse só a "dessacralização" era uma coisa, o problema surge quando a questão se torna a visão que as pessoas tem de toda uma cultura... simplesmente não está certo "transformar" todos os muçulmanos em terroristas, e isso nada tem a ver com as crenças pessoais de cada um...

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  4. uma das melhores argumentações que já li. excelente texto. parabéns e obrigado

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  5. texto impecável. concordo com cada letra.

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  6. Obrigado por expressar o que eu também penso!

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  7. O texto faz jus ao título do blog: muita demagogia, proto-moralismo, paralelos risíveis e um enfoque totalmente equivocado para tratar o humor.

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  8. Muito bem! Ate que enfim surge uma opiniao realista e racional sobre um tema delicado.... Gostei :)

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  9. Excelente. Parabéns por tanta lucidez!

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  10. Independentemente de concordar ou não com a sua opinião, eu a admiro muito. Você conseguiu fugir do discurso fácil em voga sem propor outro tão fácil quanto. Não interessa saber quem é o vilão ou o mocinho dessa história toda - se é que os há. O que interessa é que um ato bárbaro aconteceu e precisamos entender o que o motivou. E se nos apegarmos a um único ponto de vista, a tendência é emburrecer o diálogo. Admiro pessoas que conseguem pensar como você. Andam escassas nesses tempos de "compartilhar" e "curtir" sem antes refletir (a rima horrorosa foi inevitável).

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    1. Valeu, Bruno. O objetivo não é doutrinar, não é fazer todo mundo concordar, é levantar a discussão e questionar a ideia de que quem morre vira santo...

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    2. El Rafo disse tudo, e foi ótima a consideração de Bruno.

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    3. O que é pior é que agora as retaliações acontecem, e a violência se alastra..

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  11. Parabéns pela postagem e pelos argumentos.
    Faço suas as minhas palavras, apenas acrescentando algo que pensei hoje ao assistir Jornal Nacional: em todas as manifestações de apoio às vítimas e etc, vi falarem de valores como liberdade de expressão, direito dos "pensadores" e etc, mas não vi NINGUÉM falar em RESPEITO como um valor a ser propagado nas sociedades em geral.
    Aí pensei, sem respeito, não vamos longe.

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  12. Belo texto Saldanha. Fez o q a maioria dos jornalistas, principalmente nacionais, não fazem. Procurar entender o outro, enxergar o outro e não praticar o umbigocentrismo.
    abs
    Swahili

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Gostaria de fazer algumas observações para reflexão:

    "Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma."

    Ok, mas a religião seja ela qual for e seus dogmas só dizem respeito aos seus seguidores, logo, eu como não-muçulmano, posso retratar Maomé, quando e como eu quiser, e principalmente da maneira que eu quiser. E esse é o ponto! Assim como a Santa é sagrada apenas para os Católicos e o pastor pode chutá-la sim, já que para ele, ela nada mais é que uma estátua de barro de mau gosto! Isso pode ser grotesco, chocante, desnecessário, infantil, desinteligente, mas é um fato que os ofendidos tem de entender, seus símbolos, crenças e tudo o mais só é sacro para eles e não para os demais! Caso se sintam ofendidos e alguma lei que proteja seus símbolos e crenças os acolha, que entrem na justiça!
    Particularmente eu acho que religião é um atraso, e um mal a ser combatido, assim como costumes e tradições que incluam sacrifícios de animais, ou mesmo humano, como cortar clitóris de garotas, ou circuncidar bebês e permitir que rabinos velhos "suguem" seus pênis mutilados, então parto da premissa que eu não respeito religião alguma ou tradição absurda alguma, o lugar de ambas é nos museus e livros de história. Mas respeito a pessoa humana, que tem o direito de optar seguir essas religiões/tradições (desde que permitidas pela lei), respeito a escolha das pessoas, mas esse respeito não é extensivo aos rituais, a meu ver ridículos, que elas escolheram.
    E aí que apesar de todo o mau gosto que possa existir nas charges do Charlie Hebdo, todo o desserviço à comunidade árabe oprimida nos guetos da França, etc.
    Ainda assim eles não deviam mesmo respeito nenhum à religião alguma.

    Abs

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    1. Concordo, a religião por vezes se mostra um atravanco para a sociedade... principalmente quando ela quer dogmatizar o Estado. Muçulmanos (alguns ja sabem) tem que aprender a serem criticados... engraçado é que são criticados pelo fato de justamente não o saberem e por tal motivo realizarem ações desproporcionais.

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    2. " Assim como a Santa é sagrada apenas para os Católicos e o pastor pode chutá-la sim, já que para ele, ela nada mais é que uma estátua de barro de mau gosto! "

      No Brasil, o pastor que chutou a Santa foi julgado e condenado à 2 anos de reclusão por 'incitar a discriminação de preconceito religioso, por meio de palavras e gestos'. O religioso foi beneficiado pela suspensão condicional da pena.

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    3. Excelente resposta Eluando!
      Pensei algo semelhante ao ler o texto: "Ora! Que eles não retratem Maomé é algo que diz respeito a eles, mas impor aos outros a abstenção de fazê-lo é não suportar a alteridade."
      Concordo que a revista tenha contribuído para a disseminação de preconceitos e estereótipos ao homogeneizar o muçulmano sempre como terrorista, mas discordo em absoluto de qualquer restrição à liberdade artística para se retratar qualquer representante religioso.
      Religião, cotidianamente, tem sido usada tão somente para que um grupo se isole e se sinta diferente (e melhor) do que o resto. Um culto narcísico coletivo.
      A institucionalização de organizações religiosas tem contribuído tão somente com a disseminação de preconceitos absurdos, guerras e atrasos ao longo de vários séculos.

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    4. pobres das pessoas que seguem leis como dogmas religiosos. alguns conseguem ser ainda mais carolas que muitos religiosos por aí.

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    5. Finalmente um post lúcido, Eluando Cascardo. Com metade das palavras do texto original, desarmou completamente o autor original dos seus argumentos fracos. Concordo muito com suas opiniões.

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    6. Eluando Cascardo,concordo com seu comentário! Uma jornalista aqui da minha cidade postou esse texto e resolvi conferir,e só posso dizer uma coisa,pois você já disse tudo..LAMENTÁVEL!

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    7. Creio que há uma coisa que está em vias de desaparecimento, chamada RESPEITO. Não tenho religião, mas respeito todas elas e seria muito bom se esse "hábito" pegasse!

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    8. hehehe. Tem pessoas que tem uma ervilha no cérebro. E quando ficam irritadas esta ervilha se transforma numa lentilha. Há pessoas que não conseguem interpretar este texto tão claro e tão simples. Acho brilhante porque derrama outro olhar sobre o acontecido. Liberdade de expressão tem um limite? Sherezade pode vir ao ar para estimular o linchamento? A veja pode desfigurar uma noticia dois dias antes da eleição? Como a justiça, que é capenga, pode reparar um linchamento estimulado por um canal de TV? O Eluandro, que diz que "respeita a pessoa humana" pensa que quem se sentir prejudicado deve buscar a reparação na justiça. Boa piada. O texto fala muito bem. Liberdade de expressão tem seus limites. E para isso há de ter senso crítico. E para haver senso crítico é necessário coisas básicas, como voltar pra escola e assistir novamente às aulas de interpretação de texto. Outra coisa. Quer malhar Maomé? Senta a pua. O direito é seu. Mas também acho justo que vc dê um jeito de que quando vier o o avião, que ele caia apenas na SUA cabeça.

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    9. Eluando Cascardo, seguindo sua lógica, faz todo sentido " mas a religião seja ela qual for e seus dogmas só dizem respeito aos seus seguidores, logo, eu como não-muçulmano, posso retratar Maomé, quando e como eu quiser, e principalmente da maneira que eu quiser", acredito que os atiradores tenha seguido a mesma linha de raciocínio, a vida dos cartunistas só dizem respeito a eles mesmo, só tem valor para eles mesmo, sendo assim, os atiradores podem fazer o que quiser e da maneira que quiser com aquilo que não lhes tem valor, a vida dos cartunistas, e fizeram, acabaram com essas vidas que nada representavam para eles.
      Não é porque algo não lhe tenha valor, que podes desrespeitar, a sua casa, a sua vida, seus familiares, não tem o mesmo valor para aqueles que não participam da sua vida, mas você espera, ao menos, respeito de todos.

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    10. Elisa Antoun, Leis não comportam opção "seguir" ou não "seguir", são por excelência impositivas, se não "seguir" sofrerá consequências.
      Em um Estado Democrático de Direito, há mecanismos para, caso não se concorde com uma Lei, possa-se mudá-la.

      Fernando Corona, começou mal sua observação, com risadinhas e chamando outras pessoas de cérebro de ervilha, fato que por si só, deixa duvidosa sua vocação de defensor do "respeito"...mas enfim...
      Recomendo que você siga seu próprio conselho e volte aos bancos escolares, pois seus exemplos são sofríveis, liberdade de expressão em uma sociedade organizada tem seus limites muito bem delineados e pelo que eu sei a sociedade francesa deixou bem claro os limites da liberdade de expressão lá, logo, os cidadãos franceses que estavam na França, sob a Lei Francesa, fazendo charges não estavam em conflito com as normas de seu país e estavam em pleno exercício de suas liberdades.

      Gladstone Cameski, você está confundindo alhos com bugalhos! Pessoas são pessoas, ideias, doutrinas, filosofias e afins são outras coisas, não são um ente, portanto não faz o menor sentido o link "lógico" que você tentou fazer.

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    11. Eluandro. Primeiramente não estava me referindo a você que é uma pessoa humana. Gostei da expressão que vc usou. " Pessoa Humana" E não sou defensor do respeito tampouco. Liberdade de expressão se faz com senso crítico. É algo que creio ser subjetivo, mas de alguma forma eu entendo. Liberdade de expressão se apura com a evolução da sociedade. Te dei 2 sérios exemplos brasileiros que penso nao serem sofriveis, como vc disse. Acho que são exemplos irresponsaveis e até criminosos. É o senso crítico que faz você não falar que pode ou tem direito de chutar a Santa. E muito menos faze-lo. É o senso crítico que faz vc pensar um pouco antes de retratar Maomé trocentas vezes, sabendo que isto vai ofender os adoradores, que são muitos num país onde eles estão escorraçados, num planeta onde eles tem seus países invadidos por outros países, com p pretexto de defender a liberdade, mas que na verdade é pra movimentar a industria de armamento e se aproximar do petroleo. Senso crítico. Até permite vc comentar com seus amigos que acha os rituais ridículos, mas não te deixa escrever isto num jornal. "QUE ENTREM NA JUSTIÇA". Esta é muito boa. Que justiça, rapaz?

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  15. Saldanha, discordo com tu em alguns, senão vários, pontos. O mais relevante de todos é o suposto racismo do Charlie Hebdo. Concordo que após os atentados do 11 de setembro de 2001 a linha do jornal se tornou bem mais virulenta para com a religião islâmica, sobretudo depois da chegada de Caroline Fourest na redação. Não duvido que ela realmente tenha um problema pessoal com este culto. Contudo, por mais violentas e "de péssimo gosto" (mas isso é o seu julgamento estritamente subjetivo, e o sonhor deveria permitir ao seu leitor de descobrir as charges e decidir por si proprio se elas o fazem rir ou não) que fossem as caricaturas, o jornal buscava designar sim uma ideologia bem especifica, que não era, como você afirmou sem refletir muito, a população muçulmana em seu todo, mas sim a fação extremista do culto.
    Pegue esta capa de 2006 que causou muita polemica na época, e juntemos a força de nossos neurônios para compreendê-la. http://p4.storage.canalblog.com/48/15/754885/69726704.jpg
    O texto à esquerda diz « Maomé cheio/solocitado demais pelos integristas ». A direita o personagem identificado como Maomé se lamenta : « é dificil ser amado por imbecis ». Você realmente acha que os imbecis apontados aqui são os muçulmanos do mundo inteiro, ou mais particularmente os 10% de muçulmanos marginalizados que o senhor cita? Não, os referidos são claramente os integristas. Está escrito. É só conseguir relacionar o texto e a ilustração que se encontram lado a lado na mesma página.
    Mas convenho que escolhi um exemplo fácil de defender. Por sinal foi neste mesmo raciocinio que a juiza encarregada do processo que ocorreu no inicio de 2007 chegou ao inocentar o jornal. Neste mesmo processo Mohamed Sifaoui, jornalista franco-argeliano cujas reportages tratam muitas vezes dos meios fondamentalistas e terroristas, e que vive sob a ameaça de morte constante de tais grupos, testemunhou a favor do Charlie Hebdo.

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  16. http://video-streaming.orange.fr/actu-politique/mohamed-sifaoui-proces-charlie-hebdo-VID0000001jzkA.html
    Neste video ele declara : « Durante o processo das caricaturas, seja no caso do Jylland Posten ou no caso do Charlie Hebdo, em nenhum momento os fiéis foram o alvo (das charges). Os alvos são ideologias. A partir do momento em que pessoas aceitaram que o islão fosse politizado e ideologizado [desculpe, não sei se o verbo existe realmente em português], essas mesmas pessoas também tem que aceitar que ele esteja no centro do debate publico. Se desejamos que nossa fé não seja « cutucada », não devemos misturar política e espiritualidade ». É claro que aqui ele se refere aos lideres politicos, e não ao fiel standart que infelizmente não tem o poder de decidir como a sua crença é manipulada pelos detentores do poder.
    Agora, quanto a sua frase « nem todo a censura é ruim », só posso discordar eternamente. Poderia ser o argumento de qualquer despota da Historia. A religião muçulmana proibe a representaçao do profeta mas essa proibição não compromete em nada o direito dos cartunistas de desenharem Maomé como eles bem entendem.
    Confesso que é dificil saber onde começa a xenofobia em relação à charges de tamanha irreverencia. Afinal, caricaturas de judeus com narizes grande sob o regime nazista, ou do « bom negro » de Banania no caso do colonialismo são exemplos que um limite existe sim. Mas quem é você pra defini-lo? De qualquer maneira, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 aboliu a blasfêmia como delito aqui na França.

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  17. Ah, seu comentario sobre os tribunais franceses serem famosos ha mais um século pela xenofobia e intolerância… gostaria saber em quais exemplos ele é baseado, senão pelo famoso caso Dreyfus, amplamente estudado e mostrado em exemplo na França. Falo por experiência, porque a « escola republicana » nunca me ocultou a relevancia desta affaire, muito pelo contrario. Em um século as coisas mudam. Por favor, se baseie em algo concreto antes de acusar a instituiçao juridica de xenofobia e intolerância. Estou longe de ser uma especialista neste assunto, mas você nao me conveceu, sobretudo depois do caso do humorista Dieudonné (comparado à esse cara os cartunistas do Charlie Hebdo te fariam mijar de rir, por mais que o humor deles visivelmente não seja a tua praia), que acabou definindo a linha vermelha que te parece essencial e deu razão à sua « censura do bem ».
    Meu texto deve estar meio confuso, então vou tentar encurtar. Agora tenta pensar nisso : se o processo de 2007 tivesse dado razão aos acusadores [mais uma vez me desculpe mas não lembro do termo juridico apropriado], ou seja, a Grande Mesquita de Paris, a Uniao das Organizações islâmicas de França e a Liga Islamica Mundial, a democracia neste país teria dado um enorme passo para trás e uma das maiores conquistas da Revolução Francesa, a liberdade de expressão, teria sido amordaçada pela « linha vermelha » do politicamente correto.
    O Charlie Hebdo, contrariamente ao que você escreveu, não incitava ao ódio, nem à xenofobia, mas à rir de tudo. Na real o Charlie Hebdo, do seu jeito meio escroto (e me parece normal que não seja compreendido, e muito menos apreciado, por todos) apelava ao amor. http://a404.idata.over-blog.com/4/32/24/91/API/2011-11/09/image0-2011-11-09-12-59-12--0000.jpeg
    (« o amor mais forte que o ódio »)

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    1. "Ah, seu comentario sobre os tribunais franceses serem famosos ha mais um século pela xenofobia e intolerância… gostaria saber em quais exemplos ele é baseado, senão pelo famoso caso Dreyfus, amplamente estudado e mostrado em exemplo na França."

      Aqui tem um material bom sobre o assunto:

      http://fra.europa.eu/sites/default/files/fra_uploads/11-ar07p2_en.pdf

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    2. Na real não duvido que sejam, só achei tosco o exemplo do Caso Dreyfus. Não emiti julgamentos sobre este ponto do texto, realmente não sou perita no assunto, mas também não creio que o autor do blog seja. Este documento pode servir para nos dois. Valeus.

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    3. Gostei de suas colocações, Pietra. Quanto ao texto do Saldanha, eu o considero fundamentalmente equivocado.

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  18. Os homens mortos quarta-feira tinham o direito (e até mesmo o dever, na condição de cartunistas de alguns dentre eles) de rir e de fazer piada de TUDO. Por mais que as pessoas vissem isso como uma ofensa pessoal (e nem me refiro mais à religião, mas à tudo, pois eles não deixavam ninguém de fora e não poupavam ninguém).
    É extremamente triste que individuos desprovidos de inteligencia e sentido de responsabilidade repliquem com mais atos de violência. É terrivel que os muçulmanos se encontrem sob a pressão de ter que anunciar que eles não apoiam a barbaria (o famoso #NotInMyName é uma iniciativa bonita, mas lamento que tenha que chegar nisso, afinal os fiéis de nenhuma outra religião jamais tiveram esta pressão).
    Mais terrível ainda é esta tragédia servir os propósitos de um partido como o Front National, que sem duvida nenhuma já está tirando proveito da situação.
    Mas Saldanha, se é tão importante pra ti que os amalgamas sejam evitados, lembre-se de que nem todos são porcos xenofobicos neste país. O islamofobia é um problema urgente que está se infiltrando na sociedade, sem nenhuma duvida. Mas ao ler o teu papel só vejo a exclusão social e, talvez porque o senhor não mora aqui, não faça ideia do espirito de fraternidade do quais os franceses (todas origens) são capazes. O slogan Je Suis Charlie, apesar de fatalmente se transformar em um tipo de moda, está aqui pra provar isso. Ahmed, que morreu no exercicio de seu trabalho de policial, com certeza entendia isso melhor do que você, e não « sofreu os ataques dos cartunistas franceses ». Talvez você, Saldanha, não seja Charlie, mas deixe pelo menos o direito à uma população em choque e comovida pela morte destas vitimas, entre as quais se encontravam cartunistas e pessoas sensacionais, inclusive Ahmed Merabet, serem Charlie. É raro ver tanta empatia atravessar o mundo inteiro, por isso, por mais que o lance do #jesuischarlie me cause certa estranheza quando vejo pessoas que nunca sequer tinham ouvido falar do jornal postarem coisas nas redes sociais, ainda assim essa reação massiva me comove muito. É uma pena que tu não sinta isso. « Ser Charlie » tomou uma dimensão maior, como você percebeu, colocando a noção de liberdade da impressa no coração do debate mais uma vez. Também surge da vontade (pelo menos na França) de homenagear os cartunistas assassinados e que cujos trabalhos faziam parte da vida de muitas pessoas. Mas entendo que pra ti seja dificil entender tal comoção, já que tu os considerava xenofobicos, já que pra ti era um jornal de péssimo gosto, e já que na tua opinião não se pode rir de tudo.

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    1. Concordo totalmente com seu posto Pietra. Em relação ao #jesuischarlie, como você e muitos outros, fiquei comovido com a repercussão mundial e a empatia que levantou. Entendo totalmente que certas pessoas podem não aderir mas se manifestar contra declarando "je ne suis pas Charlie"??
      E fico mais triste ainda em ver cartunistas ser taxados de islamofóbicos, enquanto foram mortos justamente por lutar pela liberdade de expressão, pela igualdade e contra o racismo e os extremos..

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    2. Je suis Marzuq, Je suis Kadar, Je suis Khalid, Je suis Thairah, Je suis Rabab, Je suis Jabir. Nomes de algumas pessoas que também morreram pala mão destes fanáticos. Isto acontece todos os dias. Mas só nos sentimos incomodados quando o cinzeiro vem sujar o tapete de nossa sala. É bom entender de onde e porque surgiram estes lunáticos. É bom saber a proveniência dos armamentos que estes doidos portam. Quando estas coisas acontecem a expressão mais importante é: POR QUE? Galeano tem uma frase legal que diz algo parecido com; PARA MUDAR A REALIDADE É IMPORTANTE CONHECE-LA. Para conhecer a realidade é importante ir atrás dela. É mão de obra, mas é o único jeito.

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    3. Hadouken!

      Exatamente o que Einstein disse à Freud: os intelectuais tendem a nutrir os pensamentos mais perversos pois tendem a crer que possuem a solução final para a vida das pessoas sem jamais terem de viver nas peles das mesmas. Assim, são capazes de barbaridades em nome de um ideal.

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  19. Pra finalizar, acho bem respeitável que tu tenha tentado ver através de outro ponto de vista, enquanto muito gente já começou à cair na armadilha do racismo. Pena que pra fazer isto tu se sinta obrigado a rebaixar os cartunistas e todo o ambiente que tomou conta do país.

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    1. Pietra e Ghislain,
      em momento algum eu disse que todos os franceses são xenófobos, e lamento se me fiz entender mal nesse sentido. De resto, a discordância é parte do processo. Um abraço e obrigado pela leitura.

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    2. Em momento algum entendemos o seu artigo nesse sentido. O ponto principal das nossas respostas era que o Charlie Hebdo não pode ser taxado de racismo. Onde declaramos que você considere os franceses xenófobos?
      Se a discordância faz parte do processo, faço meu o seu desejo de que as pessoas "evoluíssem, que mudassem". Comece lendo edições do Charlie Hebdo antes de espalhar análises rasteiras.
      Abraços

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    3. Eluando Cascardo, Pietra Reginato e Ghislain Favé. Concordo plenamente com suas análises. Estão de parabéns!

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    4. Cara, se a única conclusão na qual tu conseguiu chegar é esta (« eu não disse que todos os franceses são xenófobos [e não « xenofóbicos » como eu devo ter escrito algumas vezes haha]), significa apenas que tu foi incapaz de compreender - ou sequer de ler - uma única linha do que escrevemos. Por mais que teu texto esteja repleto de imbecilidades (e algumas coisas verdadeiras), não acreditei por um segundo que tu considerasse a população francesa xenófoba em seu todo.

      Só te sugiro que tu se informe mais antes de escrever um papel denunciando artistas e um jornal sobre os quais tu visivelmente sabe muito pouco.
      Apesar das respostas violentas de certos indivíduos (que sejam retardados com granadas ou Marine Le Pen com discursos infectos) muitas pessoas aqui já expressaram o desejo de que seja evitado qualquer tipo de amalgama para com a comunidade muçulmana. Os franceses (e seres humanos em geral) providos de cérebros funcionais sabem diferenciar um integrista desequilibrado de um fiel. Assim como os franceses (incluindo os famosos 10%) providos de senso humor e senso crítico eram capazes de diferenciar as sátiras de fundamentalismos religiosos de um ataque visando pessoalmente a crença deles. Os que não achavam engraçado tiveram o direito e toda a razão de apelar para a justiça, como fizeram.

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    5. Transformar os cartunistas em mártires talvez seja desnecessário (porém compreensível e tentador, já que, realmente, não se opõe uma kalachnikov a um cartoon). Mas posso afirmar uma coisa que tu não parece ver : esses caras tinham culhões do tamanho do Alaska. O Charlie Hebdo fazia um trabalho que ninguém tinha coragem de fazer, e inúmeras vezes foram criticados por tal irreverência. Ao invés de favorecer a marginalização e as disfunções sociais, eles as apontavam, mexendo em feridas que a maior parte da imprensa tem medo de tocar.
      O que aconteceu dá ainda mais força a esta ideia. Não foi porque eles supostamente semeavam o ódio e a discórdia que foram alvos, ou porque « pegaram pesado », mas porque denunciavam com humor um fenômeno destrutivo e perigoso. Faz parte do engajamento de certos jornalistas e cartunistas. Taxá-los de xenófobos de islamofóbicos apenas prova que tu não faz a mínima idéia de quem eram Cabu, Charb, Honoré, Wolinski e Tignous (e todos os que sobreviveram) - que, por sinal, tu nem se dá ao trabalho de citar pelos nomes.

      Eles merecem todo o respeito e homenagens que têm florescido pelo mundo nos últimos dias, por mais que isso te incomode. Para chegar (ou não) nesta conclusão, cada pessoa que usa a hashtag #JeSuisCharlie deveria se informar por seus próprios meios. Aqueles que concordam cegamente com o teu papel também deveriam se informar e ler alguns números do jornal antes de declarar de maneira mesquinha « Je ne suis pas Charlie ». O rapper Disiz, de religião muçulmana, escreveu um post sobre os eventos de quarta-feira. Ele tinha muitas vezes se oposto ao jornal, se sentido irritado pelas caricaturas mas que, por mais aberrantes que fossem, ele considerava de fato « inofensivas » ( https://www.facebook.com/DisizFr/posts/815654181828640 )
      Faço das palavras dele as minhas : « A França não em está em luto pelo Charlie Hebdo, nem pela liberdade de expressão. A França está em luto de si mesma pois ontem [quarta-feira] ela morreu e não será mais a mesma ».
      É este o sentido que as palavras « Je suis Charlie » tomaram, caso tu não tenha entendido a magnitude do que aconteceu e está acontecendo enquanto escrevo.

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    6. Então quando a namorada de Stéphane Charbonnier declara que as vítimas deste atentado deveriam ser enterradas no Panthéon, só posso concordar com ela.

      Teu papel é deplorável no sentido que enfatiza (com razão) a exclusão - inegável - de uma parte da população francesa (que não se limita aos árabes muçulmanos) mas não percebe que a onda « Je suis Charlie » tem justamente unido as pessoas que vivem aqui envolta da noção de um respeito e uma comoção universais.

      Respeito aos jornalistas e cartunistas fodões mortos na quarta feira, aos policias, ao encarregado da limpeza, à outra policial morta, e aos três reféns executados hoje.
      As quatro pessoas envolvidas nesses massacres, antes de se tornarem extremistas, foram manipulados por predicadores desde jovens. O terrorismo tem que se combater pela educação mais do que pelas armas.

      Abraço

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    7. E quando digo educação... quero também dizer o humor. Sem concessões.

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    8. Mega amo a liberdade de expressão. Quer meter o pau em Maomé? Mete. É um direito que vc tem. Satiriza à vontade. Liberdade de expressão não pode e nem deve ter limites. Senta a ripa. Mas também acho justo que quando o avião vier, vc deve dar um jeito de que ele caia apenas na SUA cabeça.

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    9. Este comentário foi removido pelo autor.

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    10. Dar um jeito de que o avião caia apenas na sua cabeça não existe, brother. Tu pode desenhar um Maomé de quatro e mandar uma carta para as pessoas suscetíveis de dar o troco, duvido muito que estas respeitem o seu pedido.

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    11. Acho que vou ter de desenhar. Mas como vi sua enorme falta de alcance para entender o texto do cara, eu desenho. Desenho pra vc.

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    12. Sangue, Pietra. Sangue de 12 mais quantos? Hoje foram mais 4 ou 5? Não ouvi as notícias ainda. Sangue que virá. Vão invadir que país? Afinal um dos desdobramentos é sempre este. Invadem em nome da liberdade. Mentira. Invadem por grana mesmo. Nem tanto por petróleo, mas mais ainda pra movimentar a industria de armas. Daí sim. Morrem trocentos, que a gente nem sabe e tampouco lamenta. Não sabe porque não sai na mídia e não lamenta porque somos racistas e xenófobos mesmo. Os chargistas eram de esquerda e politicamente a tragédia também é um tiro no pé. Quem vai se beneficiar disto tudo são fascistas, nacionalistas, nazistas e todo tipo de maluco que quer perseguir os imigrantes. Sangue. Acho um preço muito alto. Por isto falei. Mete o pau. Mas dá um jeito de não levar mais gente pra tua cova.

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    13. Obrigada pelo desenho. Realmente mudou minha percepção de toda da coisa. Agora falando sério, talvez eu tenha me equivocado com a tua primeira mensagem, tua metáfora do avião nas cabeças ficou meio nebulosa para à minha mísera compreensão.
      Grande parte do que tu escreveu acima é de uma evidencia absurda, e qualquer pessoa esclarecida é capaz de ver os motivos, as mentiras, as engrenagens e os desdobramentos deste tipo de evento. Te agradeço pelo grande momento de pedagogia, mas não precisava dele. Minhas respostas foram defesas aos cartunistas e de meu sentimento sobre o ambiente geral, não uma negação das conseqüências.

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    14. Parabéns pela resposta Pietra, não tive sua paciência.

      Reli agora a conclusão do artigo falando da "comunidade islâmica, sofrendo ataques dos cartunistas franceses". Já que o autor não entendeu o teor dos nossos comentários, não fico surpreso que ele também não tenha entendido o sentido das charges do Charlie. Vou repetir como inúmeros já comentaram aqui: tem uma grande diferença entre satirizar as derivas extremistas de uma religião e ridiculizar seus adeptos. Ahmed, como a maioria, provavelmente percebia essa nuance.

      Em caso nenhum ele "morreu defendendo a liberdade de expressão para os cartunistas do Charlie Hebdo ofenderem-no". Parabéns por enfatizar os clichés e por procurar desunir em um momento como esse.

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    15. "tem uma grande diferença entre satirizar as derivas extremistas de uma religião e ridiculizar seus adeptos. Ahmed, como a maioria, provavelmente percebia essa nuance". Será que a maioria percebe? Eu não sei. Os adoradores não gostam que retratem Maomé. Fizeram isto trocentas vezes num país onde os caras estão na periferia e muitos tem seus países invadidos Será que passava pela cabeça dos chargistas todas as funestas consequências disso? Não falo apenas de sua morte, porque de verdade, como vc falou, acho, eram caras de culhões, e deviam pensar que pudessem ser eliminados a qualquer hora, mas sendo caras de esquerda, não previam que tudo poderia desembocar na eleição da megera? Preço alto. No Brasil, charge dos caras espertos é entendida por 5 por cento da população. Na França não deve ser diferente. Vale a pena?

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  20. Cara, só falou bobagem, esses caras ñ precisam de pretextos pra atacarem como já vimos ao logo da hostória... E outra, piada é piada, enquanto as pessoas ñ tiverem maturidade suficiente pra entendê-las veremos cenas grotescas como estas e pessoas idiotas defendendo ações de retalhação contra uma coisa que é essencial para nossa sociedade, a liberdade de se expressar. As pessoas tem todo o direito de ñ gostar do que falamos, mas ñ tem direito de nos calar...

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  21. Na verdade, a questão real é:
    E um mundo sem religião?

    A crítica dos jornalistas mortos ontem vai além, é a crítica às instituições religiosas e não uma ofensa aqueles que crêem, aos fiéis. O Charlie Hebdo criticava essas instituições, manipuladoras, assassinas e que são acima de tudo totalitaristas, principalmente no próprio espectro religioso e cultural, ao eliminar outras crenças e culturas menores. (Note aqui que me refiro a TODAS as religiões, todas).
    Escrever um texto sobre respeito de credo nesse momento é algo extremamente ingênuo (ou retórico, não sei), já que a crítica do Charlie Hebdo e de muitos artistas, filósofos, pensadores, é sobre a manipulação sofrida pelo homem que foi catequizado e ensinado que não será jamais feliz apenas por ser homem, pois precisará sempre se apoiar no sobrenatural para buscar algo de que não precisa.
    Já vivi um ambiente totalmente laico, tive sorte.
    Já vivi um cotidiano sem deuses, onde a felicidade está muito mais perto do que se imagina, pois está dentro de cada um de nós. Simples, não?
    Quem argumenta com base em sincretismo e respeito às religiões ao falar desse caso não percebe que o buraco é muito mais embaixo. E nem deve fazê-lo, principalmente se acredita na existência de um deus, já que pecará pela falta de imparcialidade. No entanto, também não deve ser julgado, já que sequer questiona a existência do seu deus.
    Textos assim são um desserviço ao humanismo e ao estado laico.
    Acho apenas que os jornalistas do Charlie Hebdo talvez não tenham sido tão perspicazes ao tentar dizer pro mundo que somos todos manipulados, pois como mídia, num mundo medíocre, foram facilmente atacados.
    Eles quiserem fazer o que fez Einstein ou Stephen Hawking: mostrar que deus não existe e que a maioria de nós é vítima, cerceada do mundo livre das idéias.
    Da verdade.

    Lendo o seu texto uma primeira vez concordei em gênero, número e grau, pois analisei tudo com base na idéia de que um mundo sem religião não é possível.
    Por isso, concordo com você que o respeito deverá ser sempre o lema e que existe sim, o lado do opressor e do oprimido. E que politicamente, esse atentado na França vai favorecer a extrema direita e os movimentos fundamentalistas.
    Acho apenas que devemos pensar num mundo sem as religiões.
    E aí entenderemos o que esses caras queriam dizer.
    Deus não existe.

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    1. Eu não sou um cara religioso. Mas assim como discordo da imposição de qualquer religião, também discordo da imposição do ateísmo. Laico é diferente de anti-religioso.
      Um abraço e obrigado pelo comentário

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    2. Adorei sua resposta, Marina Pinheiro.
      El Rafo Saldaña, impor qualquer coisa é sempre algo controverso e quase na totalidade degradante, mas é possível combater ideias religiosas sem combater as pessoas que sejam adeptas destas ideias.
      Não confundamos o livre debate, o confronto de ideias, a derrubada de dogmas, de ídolos, a crítica, com perseguição, segregação, extermínio e afins.
      Seu texto equipara uma publicação que costuma retratar (assim suponho, não conheço a revista) um radical adepto de uma ideia, uma cultura, uma religião a uma hipotética publicação que retrataria sempre um negro assaltando. São coisas bem diferentes.

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    3. Você afirma que qualquer pessoa que tenha uma crença pecará ao emitir opinião sobre este caso pela parcialidade. Mas parece não notar a parcialidade da sua própria opinião em virtude da sua crença de que não existe Deus.

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  22. Recomendo:
    http://www.lemonde.fr/idees/article/2015/01/08/la-france-frappee-au-c-ur-de-sa-nature-laique-et-de-sa-liberte_4551971_3232.html

    Obrigada pelo espaço.
    Abraço.

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  23. Convido você a procurar edições antigas do Charlie Hebdo e ler essas na integra (o que você visivelmente nunca fez) antes de taxar essa revista de islamofóbica. Pelo contrário, a revista é anti-racista e apaixonada pela liberdade. Sim, eles criticam as religiões, todas sem exceções, como todo direito.

    Sou francês, leitor casual do Charlie Hebdo e lamento profundamente seu texto totalmente equivocado. Em outras circunstâncias, seria apenas um post de blog mal escrito e mal documentado; hoje, é irrespeitoso.

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    1. Isto contribui para o debate: http://www.cercledesvolontaires.fr/2013/12/22/si-charlie-hebdo-est-raciste-alors-je-le-suis-reponse-de-zineb-el-rhazoui-a-olivier-cyran/

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  24. Este comentário foi removido pelo autor.

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  25. Rapaz, vc cutucou a onça com uma vara curta, hein! Não me refiro à abordagem da questão da islamofobia ou do fundamentalismo religioso, tô falando do comentário em relação ao Danilo Gentili mesmo...Os fanboys vão ficar furiosos! hahaha

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  26. Este comentário foi removido pelo autor.

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  27. "Em primeiro lugar, eu condeno os atentados do dia do 7 de janeiro." copiar essa frase do próprio artigo é um bom jeito de mostrar meu apoio à ele.
    Eu condeno os atentados à revista Charlie Hebdo, e não entendo como a morte de 12 pessoas possa ser o melhor jeito de resolver um problema ou contornar uma situação. Eu acredito cegamente nas crenças de que ódio gera ódio e de que a diplomacia resolve mais problemas que tiros de fuzis.
    Não faço apologia à ação desses terroristas, entretanto, os cartoons publicados pela revista Charlie Hebdo passam do patamar da liberdade de expressão para o patamar do abuso dessa liberdade. Pra mim, a liberdade de um indivíduo acaba onde começa a de outro. Para existir o conceito de liberdade tem de haver o conceito de respeito e, até onde vi, respeito foi o que faltou em todos os cartoons da revista Charlie Hebdo em relação à crença islâmica. Cartoons que eram intolerantes, que disseminavam ódio e generalizavam uma crença inteira de acordo com a ação de uma minoria. Junte toda essa falta de respeito com alguns grupos de religiosos extremistas e teremos um 7 de janeiro.
    Realmente, desenhos impressos não justificam mortes, mas estas poderiam ser evitadas se as pessoas pensassem um pouco mais em respeitar o próximo e no bem comum.
    Nem todo islâmico é terrorista. Nem todo negro é bandido. Nem todo padre é pedófilo. Nem todo branco é playboy. Devemos generalizar menos e aceitar mais as diferenças e crenças dos outros. Talvez assim, não ocorram mais dias como onze de setembro nem sete de janeiro.
    Não sou ‪#‎JeSuisCharlie‬. Não sou ‪#‎JeNeSuisPasCharlie‬, nem ‪#‎JeSuisAhmed‬. E espero o dia em que frases desse tipo não sejam mais necessárias.

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  28. Excelente, a história está sendo mesmo muito mal contada pela mídia.

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  29. Sabedoria se adquire. Parabéns e obrigado por compartilhas a sua.

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  30. É como se eu, andando em Salvador-BA, fosse alertada para ter cuidado com os negros. Simplesmente, patético.

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  31. Bravo!!!! Excelente texto! Penso igual!! Estou na Espanha agora e ocorreu-me de conversar com um espanhol que me alertou para eu ter cuidado com os árabes. Quase mandei ele se F... Fiquei quieta, pensado como aquele cara é um imbecil.

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  32. Excelente texto, Saldanha. PQP...
    Saldanhou como nunca! Te abracarei ao vivo!

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  33. Ótimo texto, levantou uma discussão interessante. Os muçulmanos são bastante discriminados na França, marginalizados, cansei de olhar o semblante simpático de mulheres mulçumanas pedindo esmola nos metrôs de Lyon, provavelmente estão nessa condição pois não querem ou podem voltar para o país conflituoso de onde viera. Porém acredito que o texto dá a entender que a intenção do Charlie Hebdo era pregar a xenofobia e que foram incentivados depois do aval da família le Pen, eu acredito que seja extremamente o contrário. O que o Charlie Hebdo queria era tornar o islam tão cotidiano quanto o catolicismo, judaismo até o capitalismo, para que os franceses incorporassem os muçulmanos, eles eram completamente contrários aos ideais facistas da extrema-direita francesa, parece complicado entender que as chacotas tivessem um lado político favorável aos muçulmanos, o satírico mostrava até sarkozy lambendo o p´roprio anus, era comum, parece de mau gosto mas era a forma de expressão do mesmo. O tiro literalmente saiu pela culatra, o atentado vai fortalecer a quem o carlie hebdo mais combatia, a extrema-direita francesa, provavelmente nas próximas eleições Marine le pen subirá ao trono desejado.

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  34. O Pai do Indiana Jhones falou que a "Caneta é mais forte que a Espada"

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  35. Só mais um do contra tentando justificar o injustificável. Ser chamado de "palmito" é ofensa sim, é bullying, é racismo, se eu não sou negra, não existe racismo contra mim? Porque eu não sou negra? Esse comentário por si só no seu texto já é racista.

    Um coisa eu concordo: Ser vítima de racismo não me dá o direito de ser racista. Mas você não passou um texto inteiro justificando o ato dos terroristas? Então não entendi a referência que você fez. No seu texto, o ataque dos terroristas é justificável pelo racismo e deboche sofrido pelas charges da revista. Mas a pessoa não tem o direito de ser racista, tendo sofrido com racismo, só porque ela é branca? Não faz sentido algum. Je suis Charlie, porque sou contra qualquer tipo de violência, mas isso não quer dizer que apoio a opinião da revista "Je suis Charlie" para mim é o mesmo que dizer "Je ne appuie pas la violence".

    Muito bem escrito, mas infelizmente cheio de pobres referências e claramente em tom afetado.

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    1. Não, não justifiquei os ataques. Pelo contrário, condenei. Mas condenei tb a revista, e isso parece ser imperdoável... Qnto ao Racismo q os brancos sofrem, não vale a pena comentar.

      Obrigado pela visita.

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    2. Imperdoável fazer um desenho de uma religião que tem o PIOR histórico? que mundo você vive cara? Pelo amor de Alá, ou melhor, deus batatinha.

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    3. Religião que tem o pior histórico? Acho que o retrospecto histórico do cristianismo, por exemplo, não foi feito ao chegar a essa conclusão. O histórico do cristianismo tem sido muito complicado e ruim desde, pelo menos, o fim da Antiguidade, passando por toda a Idade Média e a Idade Moderna chegando à contemporaneidade...

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    4. Religião que tem o pior histórico? Acho que o retrospecto histórico do cristianismo, por exemplo, não foi feito ao chegar a essa conclusão. O histórico do cristianismo tem sido muito complicado e ruim desde, pelo menos, o fim da Antiguidade, passando por toda a Idade Média e a Idade Moderna chegando à contemporaneidade...

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  36. Obrigada por publicar isso. Me ajudou com o gosto amargo que as redes sociais estavam me causando em razão de uma maneira generalizada de ver a coisa, sem ao menos pensar a respeito. Seu texto ficou muito bem escrito e seu argumento muito bem exposto.

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  37. "Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista."

    Não sei quem são esses culturalistas que tentam "impor valores ocidentais", mas tem uma coisa que eu sei: a Sharia. Os islâmicos tentam inseri-la a força em todo país que se instalam. Veja o que acontece em Londres e outras cidades europeias. Eles criam "polícias" clandestinas, e saem por aí patrulhando e incomodando a vida de pessoas de outra cultura, quando não agredindo (tem vídeos disso, procura no youtube). Segundo sua própria definição, eles sim, são Imperialistas.

    Aliás, sabia que a embaixada deles na república tcheca estava lotada de armas e explosivos e que o governo de lá só soube quando aconteceu um ~acidente~ com o embaixador?

    Ok que tem Islâmicos que não tem nada a ver com isso, que estão por fora dessa papagaiada e são inocentes. Mas não devemos isentar essas violências por causa da inocência de alguns. O ponto é que o Islã não é apenas uma religião e cultura, eles também possuem uma agenda e ideologia, e não medem esforços, moral ou ética para atingir seus objetivos. São, sim, perigosos para o ocidente e para eles mesmos. A Islamofobia não é uma fomentação gratuita e ilegítima, como vocês se esforçam tanto para pensar.

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    1. Defendeu a islamofobia? Ok, acho q esse texto não é pra você.
      Mas obrigado pela visita mesmo assim.

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    2. Defendi, sim. Mas estou plenamente aberto a esse assunto. Porque esse texto não seria pra mim? Ele só foi falho em conseguir me fazer mudar de opinião, porque traz os mesmos pontos batidos vitimistas de sempre e não enfrenta as proposições que eu espero.

      Agora, se você escreve só pros que pensam igual a você, ok, me desculpe. Boa sorte com isso aí.

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    3. Pq tentar legitimar a Islamofobia (preconceito e ódio contra muçulmanos e sua religião) é tão absurdo como querer defender o racismo brasileiro usando o fato de que a população carcerária no Brasil tem maioria negra. Enfim, não vou entrar nesse debate. Boa sorte com isso aí.

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    4. Falsa analogia.

      Não existe esse paralelo. Os negros não possuem uma agenda ou uma ideologia pra saírem matando pessoas. O problema deles é marginalização e contexto social, não tem nada a ver com raça, religião ou cultura. É absurdo e ilegítimo sim defender o racismo, mas o Islã está num contexto completamente diferente.

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    5. Este comentário foi removido pelo autor.

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    6. Dizer q o islã "tem uma agenda" para sair matando as pessoas é uma generalização mentirosa. A grande maioria dos muçulmanos são pacíficos. É lógico q é preconceito.

      Fui (viajar! beijo pra quem fica)

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    7. Claro que é generalização. Já falei que existem muçulmanos que não tem nada a ver com isso. Mas o Islã tem uma agenda SIM. A irmandade muçulmana tenta impor a sharia em outros países desde 28. E a política deles legitima violência e assassinato.

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    8. Irmandade muçulmana =/= O Islã.

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    9. Irmandademulçumanofobia é mais difícil de falar HUE (dsclp)

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    10. Mas, uma coisa que eu não tenho conhecimento, é se os eruditos do islamismo moderado fazem declarações ou críticas as instituições islâmicas criminosas. Se fazem, não chega na nossa mídia. E se for o caso de não fazerem, bem, ficarem calados também não ajuda a desmanchar a representatividade dos terroristas, nem a quebrar as suposições de que a irmandade muçulmana é apenas um "órgão" que faz o trabalho sujo.

      É uma pena que gente inocente seja afetada por essas políticas, mas o meu ponto é que quem está no poder representando essas pessoas tem mais responsabilidade com eles do que os governos e sociedades de outros países. Se eles não assumem uma postura política digna e ética, a resposta segregativa de seu povo em outros países será de inteira responsabilidade deles. É isso que quero dizer com a islamofobia não ser um fenômeno gratuito e ilegítimo.

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  38. essa história de Je suis Ahmed não me desce. O terrorismo islâmico não nasceu do fato que os muçulmanos sejam marginalizados. E quanto a Charlie... Blasfêmia não é crime, nem aqui nem em nenhum estado laico. Je suis Charlie quer dizer ser contra o ódio. violência e pela liberdade.

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    1. Discordo de vc. Pra mim, Je Suis Charlie é o apoio a uma revista q por vezes pregava ódio e intolerância. É uma pena discordarmos, mas ainda assim, obrigado pela visita.

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  39. Parabéns El Rafo, uma excelente abordagem crítica sobre o fato. Sou professor de Geopolitica e Atualidades e sem dúvida vou utilizar seu texto em minha aula sobre a temática. Pena que não são todos os leitores que conseguem enterder suas provocações sobre o fato.

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  40. Muito bom mesmo, gostei mto do texto. É dificil a voces ocidentais entenderem tudo que os muçulmanos passam. Eu sou MUÇULMANO e fico feliz ao ver que alguns ainda se solidarizam conosco.
    Sabe, voces nao sao perseguidos todos os dias, nao sao segregados, odiados, xingados, ameaçados, ridicularizados, olhados com medo, com ameaça, sendo criticados sobre tudo que fazem. Pra voces ocidentais é dificil entenderem isso. É dificil pq vcs nunca sentiram na pele oq é isso. Vcs estao do lado de dentro da trincheira, entao acham ridiculo que peçam pra parar de atirar.
    Voces naum sabem o que os muçulmanos sofrem com esses grupos terroristas. Com as ijustiças do ocidente. Por isso eu digo, parabens mesmo pela otima visao desse texto, continuem assim, Deus os abençoe

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  41. Je préfère d'être Salman: "religiões, como todas as outras ideias, merecem criticismo, sátiras e, sim, o nosso destemido desrespeito."

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    1. Rogério Martins, ainda não li Rushdie, mas gostei da frase. Fica na minha lista de espera. Acabei de encontrar uma matéria com a frase citada e umas outras:
      http://observador.pt/2015/01/07/salman-rushdie-religiao-merece-ser-objeto-de-satira/
      Abraço.

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  42. Brasileiros são cidadãos de segunda classe em qualquer lugar do mundo. Um dos meus filhos viveu 4 anos na Austrália e, apesar de trabalhar e estudar regularmente, era considerado cidadão de segunda classe. Muçulmanos, em geral, são considerados cidadãos de segunda classe em qualquer lugar no mundo. Ingleses não são bem-vindos na França, como franceses são hostilizados na Inglaterra. Argentinos são desprezados no Brasil, historicamente. São apenas exemplos, pois haveria mais a se dizer. Isso não é aceitável, obviamente. Mas se basear nisso para limitar até onde se pode dizer/escrever/desenhar algo é, no mínimo, apoiar a censura. A liberdade de expressão, tanto na imprensa quanto no cotidiano das redes sociais tem de ser garantida e desenvolvida. Não é possível dizer-se que apenas os muçulmanos são perseguidos. Se outras religiões nada dizem contra críticas e deboches que recebem, deve-se enxergar como liberdade também. Por que apenas os muçulmanos não aceitam? Por que são fanáticos? Por que são fundamentalistas que distorcem a realidade quando criticados. Não há ofensa em nenhuma charge do Charlie. O que há é ausência do espírito democrático de alguns povos no mundo. Religiões, sistemas políticos, autoridades, ideologias são passíveis de críticas de qualquer espécie. A verdade prevalecerá, senão entre os homens, pelo menos no campo da liberdade absoluta de expressão.

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  43. Esse deve ser, o PIOR texto que sobre o assunto. Bem fraco mesmo, enxergo pessoal com sentimento de reprimido e coitado se identificando com o texto. Há inúmeros pontos que gostaria de rebater mas infelizmente não tenho o tempo para tal, mas o interessante é que você já me perdeu no "A grande maioria é pobre, legada à condição de 'cidadão de segunda classe'. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou." Sim, você espera que imigrantes sejam recebidos com tapete de ouro? Ainda mais de uma cultura com um histórico não muito bom, histórico de violência, submissão feminina e lavagem cerebral? Aqui no Brasil mesmo estou para ver ainda bolivianos serem tratados como cidadães... mas isso aqui é conversa pra outro dia. O seu texto defeca em cima do que chamamos liberdade de expressão. Bill Clinton, até hoje por exemplo, é zoado por ter fumado maconha (nao tragado), ter traido a esposa, inúmeras vezes, ter recebido felação da sua estagiária, que ficou muito famosa, ou seja, alvo de inúmeras chacotas. Nunca mandou matar ninguém. Só porque é religião, temos que por no pedestal? temos que maneirar nas nossas palavras? pelo amor de alah cara, sai dessa.

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  44. Li o texto e achei interessante. No entanto há algo que só qdo se mora na França se vê: aqui no Brasil o pobre, excluído, suburbano é da mesma nacionalidade, fala a mesma língua, e aceita submissivamente sua posição social nesta vida. É o Brazilian Way of Life.

    Já na França, que assim como a Inglaterra se enche de culpa por ter explorado o planeta desde as grandes navegações, achou que aceitando imigrantes das ex-colônias compensaria pelo "dano causado".

    Bom, a gente não vê Portugal ou Espanha se remoendo de tristeza pela exploração e escravidão aqui. Além disso, as ex-colônias francesas tem sim uma cultura absurdamente diferente da francesa. Primeiro, a França saiu da monarquia pra revolução pro terror pra restauração até finalmente chegar à República. As colônias africanas são autoritárias e intolerantes à diferentes pontos de vista.
    Os imigrantes que moram em Paris, por exemplo, nem francês aprenderam a falar direito. Eles se isolam por causa da religião, e vêem os ocidentais como inferiores. De certa maneira, eles não abraçaram a nova cultura e por isso se excluíram e hoje se dizem excluído. Eles não emigram porque querer uma experiência de vida. Emigram porque a vida no país de origem é uma bosta e diz-se que em Paris há empregos. Ou seja, eles não estão nem aí pra abraçar o novo lar.

    Um exemplo fácil é ir ao centro e ver todos aqueles haitianos falando francês e morando na rua. Eles não foram inseridos. Talvez além de bolsa-família o governo deveria sistematizar ensino do português, da cultura.

    Coisa que não sai no noticiário: há alguns anos, caí da escada rolante em Bruxelas e fiquei toda zoada, mais de uma pessoa, tanto na Bélgica quanto na Holanda, me perguntou, "você apanhou de muçulmano?? "
    Isso é comum lá, porque eles vêem a mulher ocidental - mais ainda com tatuagem e cabelo vermelho - é puta!!!
    Quem viu aquele famoso vídeo da menina andando na rua em Bruxelas e levando cantada (para ilustrar e criticar machismo) deve ter percebido que todos que falavam merda pra ela não eram 100% franceses. Preconceito tem isso, it goes both ways.
    O maior problema da imigração é a intolerância, e Charles Hebdo era politicamente incorreto em século de mimimi...

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  45. Por falar em liberdade de expressão, foda se a França e os muçulmanos. Que histeria tupiniquim é essa? Mania pragmática de se envolver em problemas externos. Só ontem morreram dois a queima roupa em Botafogo no Rio e nem assassino de burca ou fanático religioso. "Chic" falar de Paris como se fosse um bairro nobre por aqui. Aliás, por aqui matam se mais que qualquer guerra civil ou por dogmas religiosos. Mata se apenas pra ver cair. Mas o "chic" é dissertar sobre Paris. Foda se Paris.

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    1. Pois é, Handel, optando por dar relevância a assuntos externos e longínquos acaba-se dando pouca atenção a assuntos internos e que poderiam receber algum tipo de intervenção.
      Mas não se pode obrigar as pessoas a falar do próprio lugar.

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  47. Achei o texto desespeitoso conosco, extremistas da zueira. Penso em fuzila-lo por conta disso.

    PS (Brincadeira PF).

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  48. Que texto absurdo e lamentável !
    Me lembra alguém com aquela carteira de funcionário de algum governo totalitário, autoritário, tipo Cuba, Coréia do Norte ou algo similar.
    Para dizer a verdade trata-se de um texto assustador!
    A liberdade deve ser plena. Total. Absoluta. Sempre...Fora disso, estaremos nas Trevas!
    E aquele que porventura se sentir ofendido ou prejudicado deve buscar proteção ou reparação pelas vias institucionais, de acordo com a legislação de cada país, no espaço ou fórum próprio .
    E como já foi dito acima, a frase estampada por milhões de pessoas é um ato de repúdio a violência e a favor da liberdade.

    Um abraço.

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  50. É uma faca de dois gumes, pois o mais interessante que quando vamos visitar os países islâmicos temos que aceitar todas as condições deles, respeitar a opressão, cobrir nossos corpos, não sair sozinha (se for mulher), não comer na frente deles no ramadã. Mas, quando os mesmos vão para o ocidente não querem aceitar o modo de vida ocidental, pelo contrário, querem impor a sua religião como a única verdadeira. Agora, imagina, se o Brasil abrisse as portas para muitos exilados muçulmanos e os extremistas repentinamente não aceitarem a liberdade de expressão, e começarem a matar todo mundo que ousarem a falar mal do profeta. O que estamos protestando não é para o favorecimento do preconceito, é a conscientização que o fanatismo religioso é uma praga, que a violência nunca será o melhor caminho. E que por pior que seja o fruto da liberdade de expressão, a violência nunca deverá ser usada. No mesmo olhar, os ocidentais também estão cansados da intimidação do islã, e foi por isso que a causa de Charlie se tornou uma causa mundial. Quem tiver um pouco mais de ciência da religião islã, saberá que algumas regras impõem realmente a opressão e a violência, como nas maiorias também de outras religiões. Não é uma campanha a favor do preconceito, inclusive alguns muçulmanos também estão protestando a favor da causa Charlie cansados de sofrerem tanto por causa de normas tirânicas: meninas não podem ir para escola, como Malala foi vitimada, mulheres apedrejadas.... A questão maior é combater a violência empregada que chegou numa grandiosidade absurda. Por tudo isso "Je Suis Charlie"!‬

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    1. Bastaria ler o Alcorão e a Sunnah para ver que o Islã é sim uma religião de intolerância e violência. Onde muçulmanos entram, causam problemas. Eles até finge ser tolerantes quando são minoria (isso se chama Taqqya). Conforme aumentam em número, começam a exigir direitos especiais. Depois tomam o poder e impõe o terror. Basta ver o que aconteceu depois da partição da Índia. Muçulmanos queriam Estados só para eles (Paquistão e Bangladesh). A Índia sempre teve maioria hindu, além de muçulmanos e cristãos. Alguns muçulmanos permaneceram na Índia, e alguns hindus e cristãos no Paquistão e no Bangladesh. Anos depois, há menos de 2% de hindus e cristãos nos dois países. Eles foram convertidos à força, mortos ou expulsos.

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  52. El Rafo Saldaña, lamentavelmente acabo de descobrir que um dos pontos do seu texto pelo qual eu tinha o maior respeito é falacioso:
    "A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência (quantos trocadilhos com “matar” e “explodir”...). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização."
    Duas capas para contrapor seu argumento:
    1 - a que aparece um fiel beijando o cartunista com a frase "o amor é mais forte que o ódio"
    2 - a que o profeta Maomé aparece se lamentando com a frase "é difícil ser amado por idiotas"
    E aí?

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  53. O ponto é de tolerância, então mesmo que a charge seja ácida e até certo ponto estúpida, os atos e qualquer argumento são inválidos diante dos fatos, ao atacar pessoas desarmadas, matarem policiais pais de família esses indivíduos perderam qualquer direito e qualquer legitimidade.
    O Argumento de que uma censura prévia teria evitado o fato é inválido desde o ponto que os radicais islâmicos assassinam MILHARES de crianças cristãs em seus territórios, se não fosse os cartunistas franceses seriam jornalistas alemães, ou trabalhadores americanos como ocorreu em 9/11. A sociedade ocidental tem que entender que nem todo islâmico é terrorista, mas esses terroristas devem ser sistemárticamente eliminados, militar e economicamente.
    Se adotar a censura é um argumento válido pelo autor, então, podemos censurar os islâmicos como manifestação religiosa, oras, se não a justiça francesa expulsasse os muçulmanos da França, na haveria ataques? Entende como essa lógica da censura é inválida?
    A questão é, temos que preservar a liberdade de pensamento, mas coibir com força, energia e inteligência os ATOS violentos, lógico que o discurso xenofóbico deve ser combatido, mas a censura na é o caminho.
    Acredito que é hora de combater fogo com fogo, caçar os terroristas no globo, captura-los, extrair todas as informações e desmontar as organizações, levarem os líderes a tribunais de crimes contra a humanidade e condena-los, mostrar que terrorismo não é uma opção.
    Mas quem vai ter coragem e fazer isso?

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  54. Hoje, terroristas islâmicos fazem reféns em uma empresa na cidadezinha de Dammartin-en-Goële e em um mercado judeu em Paris. O do mercado judeu já matou dois.

    Se ao menos esses judeus não tivessem cometido essa provocação enorme que é serem judeus, não é mesmo?

    Que texto mal pensado.

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  55. http://www.lemonde.fr/idees/article/2015/01/08/la-france-frappee-au-c-ur-de-sa-nature-laique-et-de-sa-liberte_4551971_3232.html

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  56. Aqui se encontra o caráter reacionário daqueles que bradam contra o “politicamente correto atual”, porque quem defende essa posição defende na verdade um retorno/regresso diante desta ampliação do direito de minorias culturais. O Reacionário remete à reação, ou seja, uma ação pra trás. Ao invés de se manter, como os conservadores, ou avançar (progressista) ele quer retornar a um mundo onde ofender pretos, mulheres e gays era permitido.
    Aqui encontra-se o gatilho que permite entender que Renato Aragão se colocou mal. Ele diz, antes daquela afirmativa, que hoje os grupos se ofendem e que ele até concorda não se faça as piadas nas quais as pessoas claramente se ofendam [mas se defende dizendo que na época dele não era assim].
    O raciocínio do humorista é importante, apesar de superficial, e, por isso, a razão não é defende-lo mas aproveitar seu gancho pra demonstrar a bobagem que algumas pessoas, sem perceber, defendem gerando um grande mal no meio em que vivem.
    Na verdade, não é porque ele não sabia que o incomodava que o incomodo não existisse, mas uma vez declarado determinado direito como algo correto, politicamente, ele respeita e concorda que deva ser assim. É uma questão deontológica, ética portanto, de respeitar as pessoas com quem se convive. Ele admite isso. Quem não admite são as pessoas que não só discordam de tal respeito como desejam um retorno onde tal proibição era menor.
    Diante dos fatos discutidos, o ocorrido em de 07 de Janeiro, em Paris, é o grande mote da minha argumentação.
    O fundamento da “civilidade” ocidental, supostamente democrática, organizada em “direito”, é justamente, nas palavras de Webber, o monopólio do uso da força, e, portanto, a coercibilidade enquanto possibilidade da coação latente (Reale) nas mãos do Estado, soberano e apartado dos indivíduos civis, definindo posturas que podem ser aceitas ou sancionadas a depender da disposição ética de cada povo.
    Assim, conforme a sociedade evolui e fica complexa, mais direitos são reconhecidos e, por isso, mais “verdades” são inclusas na política, portanto, amplia-se o ponto do politicamente correto. Não estamos então no campo do politicamente (in)correto, mas no campo dos direitos ampliados.
    O resultado esperado da ampliação do direito, é a atividade estatal coercitiva abrangendo mais e maiores hipóteses, e ao se aumentar a possibilidade de violência oficial, diminui-se a possibilidade da violência individual ou grupal. Ou seja, se o Estado age para banir meu sentimento de violência, eu não preciso da autotutela.
    Essa ampliação de direito, pelo exposto, diminui a violência. “Ah, mas esse é mundo tão chato!”. Pode ser, mas a piada deixa de ser piada, justamente quando perde a graça.
    Se o mundo ocidental é tão civilizado por essa organização jurídica estatal com monopólio da violência, a cultura islâmica, que é não-ocidental, não tem Estado e não defere a nenhum terceiro o monopólio da força (pelo menos não nos nossos moldes ocidentais) e, por esta razão, seus membros se dão ao direito de exercerem, por si próprios, a força em defesa de sua ética, sua moral, sua religião.
    Os lamentáveis fatos ocorridos nesta manhã são a face escura de que os defensores do “politicamente incorretos” não se atentam. De que a provocação é matriz de violência e nem todos respondem à determinada violência do mesmo modo.
    Quando a violência fora exercida contra negros nos EUA, havia quem falasse para multidões de modo conciliatório (Martin Luther King) e havia quem pregasse a devolução da violência sofrida (Malcon X). O ovacionado Mandela, enquanto lutou contra a violência social, o fez pela força, e quando ganhou democraticamente exerceu o respeito republicano.
    Há no islamismo que defenda a conciliação, igualmente, e há quem chegue atirando.

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    2. "Basicamente, se você é da turma do politicamente incorreto, mas acredita que na hipótese de ofensa não deve responder por isso, saiba que o retorno disso é uma “incivilidade” na qual vence o mais forte. Estaria disposto a tomar porrada na rua por uma besteira que fala?"

      Os EUA não censuram opinião de forma nenhuma e não se vê uma sociedade conflagrada nem perseguição aos opinadores.

      A lamentável, deplorável, condenável Westboro Baptist Church frequenta enterros de soldados com cartazes alegando que os falecidos estão a caminho do inferno, e nem por isso estão mortos. A sociedade, ao contrário do que a visão de que a ampliação de direitos implica necessariamente em um aumento do tamanho da força repressora do estado, organiza-se voluntariamente, sem necessidade de vocacionados para a tirania e sua tentação de brincar com o monopólio da força. Por lá, grupos de motoqueiros voluntários, por exemplo, organizam-se para irem aos mesmos enterros e protagonizam belos espetáculos de defesa da memória do falecido, circundando a área do velório com seus veículos, formando uma verdadeira barreira de carne e ferro motorizado ao redor da cerimônia, preservando a visão dos presentes ao mesmo tempo em que rendem homenagem ao morto. Quase nunca há confusão entre os grupos.

      "Ou direito serve para defender sua integridade física, mas não sua integridade moral?"

      O que é "integridade moral"? O que entendo por minha "integridade moral" depende sempre daquilo que tenho como minha moral pessoal. Há quem sinta sua "integridade moral" agredida ao ver dois homossexuais se beijando na rua - essa é mesmo a desculpa que muitos homofóbicos dão quando querem justificar agressões a casais gays! A "integridade moral" dessas pessoas deve ser preservada?

      Não há esse papo de "integridade moral". Salvo casos de perseguição direcionada e específica, o famoso bullying, que deve ser avaliado caso a caso, ninguém tem o direito de, por alegar ofensa, impedir a manifestação de terceiros. A legislação brasileira peca nesse sentido.

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  57. Mas esta é uma questão pouco brasileira, pois tais conflitos (islâmicos x ocidente) tem pouca capilaridade aqui. Mas a raiz dos problemas se combinam, e, por isso, a reflexão se volta aqui, diante das nossas minorias culturais.
    Basicamente, se você é da turma do politicamente incorreto, mas acredita que na hipótese de ofensa não deve responder por isso, saiba que o retorno disso é uma “incivilidade” na qual vence o mais forte. Estaria disposto a tomar porrada na rua por uma besteira que fala? Ou direito serve para defender sua integridade física, mas não sua integridade moral? São pontos para se questionar.Mas esta é uma questão pouco brasileira, pois tais conflitos (islâmicos x ocidente) tem pouca capilaridade aqui. Mas a raiz dos problemas se combinam, e, por isso, a reflexão se volta aqui, diante das nossas minorias culturais.
    Basicamente, se você é da turma do politicamente incorreto, mas acredita que na hipótese de ofensa não deve responder por isso, saiba que o retorno disso é uma “incivilidade” na qual vence o mais forte. Estaria disposto a tomar porrada na rua por uma besteira que fala? Ou direito serve para defender sua integridade física, mas não sua integridade moral? São pontos para se questionar.

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  58. "Não estou defendendo o estuprador, mas se ela tivesse bebido menos, teria podido defender-se".

    "Não estou defendendo o assassino, mas se a vítima não tivesse ostentado, não teria chamado sua atenção".

    "Não estou defendendo o terrorista, mas se os cartunistas tivessem evitado expressar-se livremente, não teriam sido escolhidos como alvos".

    Você defende que a justiça francesa deveria ter punido Charlie Hebdo por cartoons pelos quais religiosos disseram-se ofendidos. Repare: essa sua visão de liberdade de expressão condiciona a livre expressão à opinião de terceiros, afinal, sentir-se ofendido depende sempre do ponto de vista de quem alega sentir-se assim. Por esse ponto de vista, poderemos publicar apenas aquilo que não diga respeito a nenhum indivíduo. Nessa toada e, como assunto, só nos restará a botânica - e olhe lá, que há ecologistas radicais a falar em direitos das plantas.

    A liberdade de expressão é um direito humano inalienável e não pode depender da opinião de terceiros, porque se precisa ser autorizada, não é liberdade.

    "Não é assim, é que religião é diferente". Ora, por que é diferente? Por essa lógica, por que não punir também chargistas políticos? Por que a categoria religião merece essa reverência tão especial, tão superior àquela que dedicamos à categoria ideologia política, por exemplo? Ideologia política é um elemento constitutivo da identidade dos indivíduos, e para muitos é tão relevante quanto é a religião para um religioso. Há esquerdistas muito mais esquerdistas do que muitos muçulmanos são religiosos, e satirizar seus ícones ofende-lhes tanto quanto ofende a alguns muçulmanos satirizar Maomé.

    Devemos, então, proibir a sátira política? Por que não proibirmos a sátira contra indivíduos? Se a sátira com ícones é ofensiva, imagine só a sátira diretamente contra o indivíduo, sem intermediários?

    Nesse ritmo e logo proibimos o humor, o que é não só um problema de mau humor e péssimo gosto, mas também um problema político, já que dessacralizar ícones intocáveis, moderando seus poderes e aproximando-nos do poder no processo, é das coisas mais importantes que o humor nos dá.

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  59. Obrigada por me oferecer outro ponto de vista. Concordo.

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  60. Texto excelente! O melhor escrito em português, sobretudo por causa dos paralelos com nossas brasilidades :)

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  61. "Mas eles estavam zoando com a religião alheia" é o novo "mas ela estava de minissaia". Quem julga os cartunistas pelo atentado é cúmplice dos assassinos fanáticos. Quem relativiza a situação com papinho de "ah, mas eles pegavam pesado nas charges" não é melhor em nada do que os terroristas. Que lixo de texto.

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    1. Lixo é esse seu comentário nada a ver....

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  62. Parabéns pelo texto. E diria mais: mate-se mais com a caneta do que com qualquer outra coisa; seja diretamente quando um governo ou uma multinacional promove uma guerra, seja indiretamente, quando uma cultura é destruída pela força verbal de outra.

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  63. Um ponto que não me parece claro e que sustenta o texto é o motivo específico do ataque.
    Não soa razoável a noção de que o atentado seja apenas contra uma revista considerada ofensiva.
    São homens treinados para ataques desse tipo. E não um grupo que se ofendeu com as publicações. A revista parece ser um alvo mais exemplar apenas.

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  64. Partilho de uma opinião bem semelhante. Não vou postar todo neu texto aqui, mas hoje publiquei algo bem parecido. Se quiser dar uma conferida:
    http://arnaldodecastro.blogspot.com.br/2015/01/ha-fatos-que-sao-por-sua-propria.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=facebook&m=1

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  65. Parte I

    Acho curioso como a Religião ainda tem um poder tão grande, principalmente sobre as pessoas que se gabam de estar livres das garras manipuladoras dos livros sagrados.

    Eternamente aqueles que se dizem os herdeiros diretos do iluminismo ateu europeu (uma ilusão maior do que aquela que dizem combater), pegam casos extremos para mostrar como o ato de alguns indivíduos devem ser usados para rotular todos que simpatizam, seguem ou discutem determinada fé ou filosofia - claro que já existem aqueles e aquelas (para não soar sexista) que já começam a pensar sem se dar conta que não são filosofias, são contos de fadas, mas isso fica para outra hora.

    Independente do que aconteceu e do que chamam de liberdade de expressão eu gosto de pensar em outro termo que acabou virando modinha. Na época em que Didi e Dedé chamavam Mussum de macaco e outros adjetivos do gênero, e todos riam, era normal ir para a escola e zoar ou ser zoado, inclusive fisicamente. Eu estudei em colégio particular, classe média, e voltava para casa com pontos num dia, ou ajudava a machucar o outro que ia levar pontos pra voltar pra casa, isso era normal, quando todos, ao invés disso, se uniam para zoar apenas uma pessoa o grupo não era criticado a vítima recebia o título de "tonta": "claro que o moleque apanha de todo mundo, ele é tonto... não revida..."

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    1. parte II

      Hoje importamos um termo americano para isso, e talvez por ser americano pegou tão bem e é repetido de boca cheia por tantos. O moleque que apanha não é mais tonto, ele sofre "bullying". E nós todos achamos hoje que o bullying é errado.

      É tão errado que existe até uma descrição do que é bullying para que possa ser identificado e combatido:

      "São atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.1 O bullying é um problema mundial, sendo que a agressão física ou moral repetitiva deixa marcas para o resto da vida na pessoa atingida.

      O agressor inferioriza e se impõe sobre o outro, na tentativa de superá-lo em termos físicos e psicológicos, e de satisfazer seu ego."

      O bully, quem pratica a violência, está fazendo o que gosta, "inferiorizando e se impondo sobre o outro, na tentativa de superá-lo em termos físicos e psicológicos, e de satisfazer seu ego". Isso pode ser considerado liberdade de expressão? Por que afinal ele está se expressando, aquela é a idéia dele do que é certo ou divertido. A vítima é sempre vítima, geralmente é alguém com medo das possíveis consequências de sua reação, e é por isso que não reage, se reprimindo a si mesma.

      Mas o que acontece quando uma "vítima" se torna alguém que não tem mais nada a perder?

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  66. Parte III

    Vejam, no momento em que se tira a identidade cultural e religiosa de alguém e a trata como alguém inferior, sem chances de direitos sociais e econômicos iguais (por favor, agora é hora das pessoas que defendem que mulheres nunca receberão o mesmo salários que os homens se manifestarem), você tira tudo da pessoa, a não ser o medo de sofrer as consequências penais por seus atos. Mas e quando se empurra a vítima até um ponto em que nem esse medo ela tem mais?

    De onde venho existe o termo "cutucar a onça com a vara curta". O seu direito de liberdade de expressão te permite cutucar a onça, é a sua idiotice que te faz ficar assustado e bravo com a onça quando ela resolve responder às cutucadas. Dizer que o tigre que arrancou o braço do menino no zoológico do Paraná estava reagindo não quer dizer ser a favor de arrancar o braço de todos os garotos que pulam a grade de proteção para ficar macaqueando na jaula de um felino com mais de 200 quilos que já está mostrando que está impaciente. Só mostra que o menino e os responsáveis por ele não foram espertos.

    Mas ai acontece o ataque ao jornal. Ok, o tigre que arrancou o braço do jovem não usava metralhadoras e armas de fogo. Já assumimos que é a retaliação do povo árabe. Me lembro na época que Bush mandou tropas para o golfo, que era comum pegar soldados americanos com barbas falsas atirando para o ar, gritando frases árabes, intimidando o povo como se fossem árabes. Mesmo assim, nada mais lógico do que já culpar os árabes pela resposta. A idéia aqui não é propor alguma teoria da conspiração, existem ótimos sites já lidando com isso:

    tem os que culpam os judeus: http://truthjihad.blogspot.com.br/2015/01/paris-charlie-hebdo-attack-another.html

    tem os que mostram outras perspectivas: http://heavy.com/social/2015/01/charlie-hebdo-shooting-terror-islamist-attack-conspiracy-press-day-inside-job-false-flag/

    tem os vídeos no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=KybUID62khs

    O meu ponto aqui é: é engraçado como quando algo assim acontece, as respostas que temos é julgar religiosos, apontar o dedo para terroristas e ver quem está certo ou errado ao invés de discutir até onde vai a linha imaginária que pode ou não ser cruzada por indivíduos ou ferramentas de mídia. Aqui no Brasil não podemos avaliar isso, já que todos - ou quase todos - confundem a nossa imprensa privada com liberdade de imprensa.

    Ao invés de tentar criar formas mais inteligentes de críticas cada vez mais precisas para mostrar o que há de errado com indivíduos - seja lá qual for a filosofia ou religião que defendam - vão ficar discutindo quem merecia ou não morrer. E muito provavelmente aqui em terra brasilis os macacos mais espertos - não, não me refiro a pessoas de cor, apenas a pessoas que deixam a parte mais básica, animal, do cérebro falar mais alto do que a parte civilizada - provavelmente vão usar esse ocorrido para levantar as próprias bandeiras, como desarmamento civil, estado laico, a ditadura, etc...

    Obito

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  67. texto primoroso, equilibrado e esclarecedor.

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  68. O seu texto esta cheio de absurdos e afirmaçoes erradas. Você quer mostrar que conhece França mas claramente você so consegue a aprobaçao de quem nunca foi. Você afirma por exemplo que temos na França "leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até... charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos!". O que??? Por favor leia a definiçao de laicidade, base da nossa republica. Charlie Hebdo sempre foi um defensor do anti-racismo, e sempre atacou qualquer extremismo religioso, seja catolico ou muçulmano. Mas nao vou gastar mais o meu tempo aqui, somente o fato de você afirmar que "Nem toda censura é ruim." mostra o tamanho da sua propria intolerancia. Vive la France et sa liberté d’expression ! Nous sommes tous Charlie!

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  69. Ótimo texto!

    Escrevi algo que corrobora com suas ideias, mas focado na liberdade de expressão

    http://webargonauta.wordpress.com/2015/01/08/liberdade/

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  70. Nenhuma pessoa deve tomar tiro na cara devido a algo que disse, que relatou ou que pensa, porém deve haver coerência, qualquer Zé Ruela sabe que as religiões estão presentes na vida das pessoas em todo planeta e são um "ponto central da vida" de muitas pessoas e o que essa revista fazia e sempre fez foi gerar revolta devido as porcarias que publicava, é muito estranho essas publicações serem tão radicais, prefiro pensar que eles atacavam de tal maneira as religiões porque era um meio de chamar a atenção e compensar um déficit profissional já que seu trabalho era uma bosta, está bem, prefiro pensar assim, mas o que aparenta mesmo é que essa revista era um instrumento de divisão e revolta social, com uma cara bem de esquerda é claro. Não estou defendendo nenhum terrorista aqui, estou só relatando o obvio, sim o obvio que falta tanto aos olhos dos politicamente corretos.
    Mais que desgraça, qualquer otário que entrar em um bar ou qualquer lugar e chamar alguém que ele não conhece de filho da puta pode esperar uma reação negativa do ofendido, qual a intensidade dessa reação já não sabemos, isso vai depender do fulano ofendido, está bem, vamos pensar assim de forma básica e lógica porque sabemos que nunca serão justificados aqueles assassinatos por nada, mas que essa tragédia foi a própria revista que ajudou a montar ofendendo quem ela não conhecia, isso sim foi.
    Faça um teste, xinguem alguém que você não conhece de filho da puta.

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  71. Apesar de concordar com alguns pontos específicos, discordo totalmente da sua opinião geral e, ao meu ver, o seu erro pode ser mais ou menos concentrado nesse trecho:
    " Para os setores nacionalistas franceses (...), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até... charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos!"

    Apesar de não ser um expert no assunto, eu acompanho (como a maioria das pessoas, imagino) as notícias sobre os conflitos envolvendo povos árabes em todo o mundo. Além de ter lido algumas coisas a respeito de sua história que se aprofundam mais do que aquilo que aprendemos nas escolas e, a grande impressão que eu tenho é que o Islamismo, em geral, continua tendo o espírito de invasão, dominação e conquista que os cristãos tiveram durante os milênios passados. Qualquer um que pesquise um pouco sobre a mentalidade e crença islâmica, vai perceber que eles têm um único objetivo: impôr a sua religião e cultura a todo o planeta, e eles estão botando esse objetivo em prática ostensivamente. Basta ver a perseguição religiosa que eles praticam contra todas as outras culturas no oriente médio (massacres de Yazidis, cristãos, ateus, etc...) e sua estratégia de ocupação silenciosa praticada na Europa.

    Sendo assim, acredito que quando Marine Le Pen disse " “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada” ele se referia não ao fato de os muçulmanos não desejarem absorver a cultura francesa, até por que nunca ouvi falar que os muçulmanos fosse proibidos de exercer seus costumes em seus bairros, mas sim que os muçulmanos (radicais, se preferir) estão atacando a cultura francesa de liberdade de expressão e a democracia humanista e secular que existe nesse país.

    Pra finalizar, a sua defesa da censura como se ela pudesse ter evitado os ataques demonstra, no mínimo, ingenuidade ou falta de conhecimento do assunto.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Como o autor do texto disse, nada justifica o ataque... Mas parece que o leviano, no caso, seria você. Você não absorveu um dos principais objetivos do texto. Não são todos muçulmanos que são maus, radicais e agressivos. Isso é nivelar por baixo! É pura alienação, mas compreensível em um mundo subordinado à cultura norte-americana. Seria a mesma coisa de dizer que todos os padres são pedófilos, todos os pastores são ladrões e que todos os ateus são cruéis. Isso é estimular o ódio e a intolerância religiosa e cultural! Combater a intolerância com intolerância é mais do que ridículo é inútil. Pelo que eu me lembro da História, não são os ocidentais que são os "santinhos", pelo contrário... Não é questão de censurar e nem de barrar a crítica ao radicalismo, mas sim como a revista fazia essas críticas. Ou se amanhã saísse no Folha de São Paulo uma foto estimulando o racismo seria apenas uma liberdade de expressão? Agora talvez eu entendo o porquê de Gilberto Freyre, para alguns, não estar equivocado.
      Com todo respeito, acho que o senhor talvez esteja um pouco enganado.

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    3. Uma coisa é atacar idéias, outra é atacar pessoas.
      Eu posso não concordar com o seu comentário, mas não é por isso que vou pegar uma AK47, invadir tua casa e matar você e toda a tua família.
      Por que eu entendo que você está me "atacando" no universo das idéias, e não fisicamente. Os chargistas do Charlie Hebdo atacavam as idéias do islamismo e não a população muçulmana. Se eles queriam responder aos ataques, que o fizessem da mesma forma, com charges, textos ou até um processo judicial (como o fizeram e perderam). Em nenhum momento eu afirmei que todos os muçulmanos são maus, mas sim que a cultura islâmica (assim como outras culturas) tem um lado intolerante e negativo e que essas idéias (não pessoas) devem ser enfrentadas, com idéias, não com violência.

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  72. Amigo, seu texto é excelente. Calmo, claro, não parcial. Parabéns.

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  73. Este comentário foi removido pelo autor.

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  74. Concordo com algumas coisas do seu texto, porém discordo em partes fundamentais, muito em conta de falta de dados para corroborar as ideias propostas, além de algumas contradições, o que não tira de maneira alguma a qualidade do texto.

    Quando você sugere que se os chargistas não tivessem publicado as charges, nada disso teria acontecido, ou que se tivesse havido uma proibição da justiça francesa anteriormente, uma censura, como você mesmo concorda, o que você está fazendo é um exercício de futurologia ao reverso.

    Depois você diz que não está sugerindo uma censura prévia, pois a censura prévia é burra, mas sim que as pessoas aguentem as consequências do que fazem.
    Não faz sentido. Ou tem censura, ou não tem.
    Ninguém precisa de Estado para lidar com as consequências dos próprios atos. O nome disso é vida. Você planta e colhe. Quando você planta, mas o Estado vem ver o que você plantou, se você pode ou não pode plantar, se é moralmente aceito, ou não, se é isso, ou aquilo, aí são outros quinhentos.

    Além disso, você mistura duas coisas que são completamente diferentes: respeito à pessoas com respeito à ideias.
    São coisas completamente diferentes. Você talvez não seja um fundamentalista, pois não vai ao extremo de seus pensamentos e crenças, sejam partidárias, religiosas, e por aí vai.

    Quando alguém critica, seja um desenho, ou qualquer outra forma de expressão uma ideia ou crença que uma pessoa é afeita, se essa pessoa não percebe que a crítica é à ideia, ela pode não sustentar esse baque e achar que isso é um desrespeito.
    Não, desrespeito seria eu invadir tua privacidade, seria eu te xingar, seria qualquer coisa direcionada ao seu indivíduo.

    Ninguém deve respeito à ideias. Idéias estão aí para serem esquecidas, debatidas, reformuladas, evoluídas.
    Pessoas estão aí para pensar idéias, gerar pensamentos e, sim, serem respeitadas.

    Pessoas, de preferências, não devem se ofender quando têm suas ideias criticadas ou debatidas, mas, aparentemente, não nos foi ensinado a pensar quando crianças, logo, ainda achamos que é plausível deixar ideias no seu canto, pois mexer nelas pode causar conflitos.

    Nesse ponto, prefiro, como você disse, deixar as coisas como são: pensemos e arquemos com as consequências.

    Fundamentalistas são fundamentalistas. São pessoas que não sabem pensar. São crentes. Crer não é saber. Crer é crer e não requer reflexão. É apenas crer.
    Qualquer fundamentalista, seja lá qual for sua crença, estará sempre mais suscetível a atos extremos.

    Há um outro ponto que você se confunde: quando o cidadão vai para um outro país, ele tem, sim, que se adaptar àquela cultura e isso não é xenofobia.
    Se você acha que não é assim, então você também acha que a Teoria Sintética da Evolução é balela.

    E aí, do nada, você vai e diz que os chargistas, que não querem aceitar os imigrantes, tomam medidas xenofóbicas e fazem charges de maneira a impor imperialisticamente a dominância da cultura francesa sobre a crença religiosa deles, que vieram de países onde o islã é a religião predominante.
    Como você pode provar essa afirmação? Como?

    Por fim, não é a primeira vez que isso ocorreu e nem será a última.
    Não me surpreendeu e nem me surpreenderá quando ocorrer novamente.

    E que a liberdade de expressão, que a duras penas foi conquistada em nosso país nos últimos anos, siga sendo exercida.

    Que as pessoas aprendam a diferenciar ideias de pessoas.
    Acima de tudo, que o ser humano aprenda a pensar. Todos nós ainda estamos engatinhando.

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    1. O que fico surpreendido são pessoas que dizem que a vitima não deve ser culpabilizada e depois culpabiliza a vitima.Texto desonesto e infantil. Parece aquelas pessoas que querem por que querem ser do contra e arrumam argumentos controversos afim levarem as suas razões.

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  75. Ah, é... Esse povo é tão pacífico, né? Em terras onde são maioria, a paz reina, né?
    Patético.

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  76. Parabéns pelo texto, achei muito bom!

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  77. Esse artigo parte de uma premissa falsa que invalida todo o seu argumento, A premissa de que o respeito às religiões alheias deve se sobrepor à liberdade de expressão. Errado. Se alguém fundar uma religião onde não se deve exibir imagens de criminosos, a Polícia não deve respeitar e parar de fazer retratos falados. Aliás, coincidentemente, Maomé também foi um genocida.

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  78. Excelente texto. Sempre bom ler opiniões diferente do censo comum.

    Xenofobia, homofobia, colonização, etc... Não percebemos que isso continua existindo de forma as vezes esdrúxula e as vezes discreta.

    Algumas pessoas preferem fechar os olhos e serem hipócritas. Eu prefiro pensar que tenho muito a melhorar.

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  79. Remember, remember, the 5th of November. Quando falam em censura sempre lembro desse filme...a HQ também é ótima.

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  80. Achei o seu texto super coerente e também lamento a ascendência do fascismo da FN sobre esse caso. Assim como lamento em dobro a islamofobia que floresce no mundo ocidental e se acha justificada só porque um grupo isolado cometeu uma bárbarie. Também é claro e óbvio que as redes sociais fazem com que o ativismo de sofá seja difundido focando em uma ou outra causa (essa semana, Je suis Charlie, semana que vem, sabe-se lá qui je serai).

    No entanto, no início do seu texto, temos a clara impressão que vc culpa as vítimas pelo atentado e, discordo plenamente dese ponto de vista. O Charlie Hebdo pode sim ter sátiras de mal gosto, mas o Islã não era seu único alvo, aliás, sabendo que Marine Le Pen está usando o atentado para se promover etão, com certeza, se chacoalhando no caixão. Enfim, entendo que a intenção do seu texto é ótima, mas recomendo que tome um pouco mais de cuidado com as palavras. Culpabilizar a vítima (e não a repressão aos árabes instalada a décadas, e não a atitude de poucos homens que descolam o ideal islâmico, e não a intolerância global que vivemos hoje) é um dispositivo com o qual já estamos acostumados e que raramente toma bons rumos.

    Mas enfim, em geral, é um ponto de vista interessante, parabéns por difundi-lo.

    http://cincomafagafinhos.blogspot.com.br/2015/01/por-que-eu-nao-cantei-marselhesa.html

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  81. Por que matar um cartunista?

    Senhor X tem uma cultura
    Senhor Y tem outra cultura
    ...
    Senhor C (ex: cartunista) pensa que culturas são criadas, são bens imateriais, e que devemos sempre pensar sobre os conceitos e por vezes criarmos novos.

    Mas o senhor C deve tomar cuidado. Pq os senhores A, B, D, E... dogmatizaram tudo que é conceito.
    Como assim? Justo nos tempos atuais? Tão cheios de mudança?
    Mudanças permitidas para o material, pode esburacar o planeta, subir mais uma laje, trocar de carro, trocar de sexo, imprimir sua própria miniatura, mas não venha me falar de discutir o que é uma família, família é o que o Titãs canta: cachorro, gato, galinha, papai, mamãe, titia, todas as outras organizações sociais são.... sei lá, não são! Também não venha me dizer que teve uma ideia nova, os Gregos já pensaram nisso antes. Deve ter algum hieróglifo com um faraó usando celular, certeza que tem. Tá... vou parar de ironizar pra deixar meu ponto de vista claro:

    Parar de discutir e inventar conceitos... é por isso que matam os cartunistas e semelhantes.

    E Zé fi ni!

    P.S: No próximo capítulo discutiremos como o advento da internet contribuiu para o congelamento dos conceitos.

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  82. A ignorância somente será vencida pela razão. Não podemos permitir que uma religião (seja ela qual for) determine o que é ou não errado. A religião é uma doutrina de conduta espiritual. As sociedades são administradas por suas leis. O que é sagrado pra mim, talvez não seja para outros. O que foi publicado ofendeu religiosos, mas apenas os fanáticos buscaram resolver estas questões levando o terror em suas ultimas consequências. O bom religioso aparta a si e a seu Deus das ofensas profanas e qualquer denigração.
    Entendi perfeitamente seu ponto de vista, apesar de não concordar por ser simplista.

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  83. Interessante seu texto e gostei muito do que expôs, todavia, discordo da parte que você menciona a censura. A França possui um contexto cultural bem diferente do Brasil, lá a Liberdade foi um direito adquirido com muito suor e é extramente valorizada e respeitada, ou seja, a liberdade lá realmente existe, mesmo que muitas vezes extrapole os limites morais e do bom senso. No mais, pode-se dizer que isso é a consequência da liberdade, como já diziam os antigos e por analogia "Fala o que quer, escuta o que não quer"

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  84. Para ser inteiramente coerente, você também terá de defender censura a publicações e a formas de expressão que façam escárnio de símbolos religiosos relevantes das religiões cristãs, e, na verdade, de qualquer religião em geral. Como, por exemplo, aquele crucifixo mirado em urina. Está preparado para fazer isso?
    Abraço,
    Bruno

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  85. Muito bom o texto, está de parabéns. Texto lúcido e bem elaborado. Concordo em 100%..

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  86. A piada é boa quando a graça está na desgraça do contador e não no infortúnio do desgraçado.
    Qualquer outra forma de humor é oportunismo disfarçado de arte e foi por isso que o grande mestre, Douglas Adams, desistiu de fazer piada... quando se sentiu traído pela comédia.

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  87. Quem diria, os progressistas são os novos censores reacionários! Acabou o "eh proibido proibir"!

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  88. Com certeza são horríveis estas mortes na França por causa de alguns desenhos debochando de símbolos religiosos. Mas se alguém debochasse de Jesus ou da Igreja lá na Idade Média tambem teria o mesmo fim, seria morto, na fogueira ou de outra forma. Infelizmente esses radicais ainda estão na Idade Media, e só de dentro de sua cultura que poderá vir alguma evolução, seus lideres mais adiantados é que terão que promover a seu desenvolvimento, reinterpretando seus textos sagrados. A ação de fora só irá aumentar sua resistência e fortalecimento das crenças atuais.

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  89. Uma regrinha- Quando alguém disser algo do tipo: "Eu não sou racista, mas . . ." Eu não sou homofóbico, mas . . . "Eu não isso, mas . . .", "Eu não aquilo, mas. .. . " "Eu não acho que deveriam morrer, MAS. . . "
    Estão vendo este "MAS" pois é, ele joga tudo abaixo do que que esta pessoa quer dizer e traz por terra o argumento.
    "Não sou racista, MAS preto gosta de . . . . . . " (coloque neste espaço qualquer besteira que te caiba por não entender que a historia de poder das raças levaram brancos a estar onde estão e negros a estarem onde estão)
    "Não sou contra a liberdade de expressão, Mas . . . . . " (coloque neste espaço qualquer justificativa que te caiba para dividir a culpa de uma tragédia, ou seu medo da degeneração social (como a que o funk no Brasil supostamente traz, mas o carnaval não é claro!!!))


    Moro nos EUA, não sou experto da França, mas ha não muito tempo um pastor evangélico iria queimar o livro sagrado islâmico em público na Florida, filmar e postar. Sabe o que o governo americano fez? NADA. Não que não tentaram, mas por que o direito de expresso do pastor é assegurado pela constituição e o resto se resolve com lei que se faz cumprir.

    Religião é algo que existe dentro da cabeça de cada um que a segue, ela não existe ao ar livre para se respirar. Ninguém até hoje provou e provavelmente não provará que uma das religiões é a real. Portando se voce quer sentar em um canto se chamar de seguidor do "Piripaco da Estrela" e seu deus tem 7 braços e três olhos, é problema seu. No dia que vc resolver matar ou infringir qualquer lei estipulada pela sociedade onde voce vive, (em nome do seu deus ou não) ai é problema de todos. Se seu primo que também acredita no "Piripaco da Estrela" não mata ninguém ou infringi leis (pela religião ou não) ele vai continuar de boa.

    Liberdade de expressão é direito/lei, este é o contrato social da França, que vota nos seus representantes e tem isso definido por maioria.
    Matar é contra a lei, também parte do contrato social da França.
    Se voce não gosta da liberdade de expressão, evite televisão, não leia jornal, vote contra a lei, faça piquete ou eventualmente mude de país, não mate, por que é contra a lei. Ha sim também não faça piquete em lugares proibidos pela lei, vai ser preso também ok?

    Sim o Didi deu a resposta errada a pergunta sobre as piadas ofensivas nos anos 80. A resposta correta talvez fosse, "Naquele época a consciência social não havia chegado aonde esta hoje, incluso a minha (Didi) eu fazia a piada e o pais (quasi todo) ria. E se houvessem leis como as de hoje, ou consciência e entendimento é claro que não havia feito as piadas.



    Ha sim, a analogia entre racismo, sexualidade e a religião e simplesmente ridícula. Cada um destes tem histórias tão diferentes que fica difícil. Como diz um ditado aqui: "Esta comparando maças com laranjas". Sem querer ofender as maças ou as laranjas é claro.

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  90. Me desculpe mas tenho que discordar completamente do texto. Qualquer um tem a liberdade de escrever ou desenhar o lixo que bem entender, e todas as outras pessoas tem a completa liberdade de ignorá-la (charge) como foram os casos de cristãos, católicos e judeus, ambos satirizados nesse mesmo periódico. No momento em que começamos a analisar o que é ofensivo ou não, acabamos tornando pessoal e assim se acaba com a liberdade. Um exemplo tosco seria, como todos sabemos, no Brasil, futebol é uma religião, imagine se acabassem com as charges no futebol por ser ofensivo ao clube x ou y.

    Adicionalmente, quando alguém é desrespeitoso com você, o que você faz? Se você for uma pessoa bem resolvida, no mínimo você sairia de perto e se fosse o caso tomaria as medidas legais, correto? Basta não ler, boicotar .... Não se pode censurar nenhuma forma de expressão, liberdade é liberdade em qualquer forma de expressão.

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  91. Finalmente uma análise sensata sobre o caso. Meus parabéns! Encontrei aqui muita informação, reflexão e crítica sobre esse complexo caso.

    Uma observação sobre o mencionado experimento dos currículos: acredito ter sido a pesquisa de Jean-François Amadieu: "Em 2004, o sociólogo Jean-François Amadieu, da Sorbonne, enviou 500 currículos respondendo a anúncios buscando profissionais de vendas na região de Paris. Os currículos eram idênticos, exceto por uma coisa: alguns dos candidatos tinham nomes norte-africanos e outros tinham nomes franceses tradicionais. Os nomes masculinos franceses brancos receberam cinco vezes mais ofertas de emprego do que os norte-africanos" (texto de http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0703201015.htm).

    Achei o estudo aqui: http://www.observatoiredesdiscriminations.fr/images/stories/presentation_du_testing_mai2004.pdf

    Abraços!

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  92. Estava realmente atrás de um texto que não fosse xenofóbico e tirasse a culpa dos cartunistas. Não foi um ataque a liberdade de expressão, afinal essa liberdade vai até ferir o respeito ao outro, e podemos ver que essa linha do respeito foi cruzada diversas vezes pelos cartunistas.
    É claro que não é um ato que mereça punição com morte, mas todos sabem que existe a corrente extrema do Islã (que não é a maioria, o que não foi retratado nas charges), que prega a morte, a punição aos que não seguem a religião, e, principalmente, não conseguem conviver com essa diferente religião. É como cutucar o leão com Vara curta.
    As mídias, as pessoas, e tudo que li até o momento estão esquecendo o que aconteceu depois que os EUA iniciou essa guerra contra o terror, manipulação de massas está nas bases das construções do mundo de hoje, é o modo mais fácil das nações poderosas continuarem exercendo poder.
    Temos que aprender até onde é humor e até onde é falta de respeito ao diferente, coisa que muita gente acredita "já estar superada no mundo". Mas sim charge contra uma religião (por mais opressora que seja com seus seguidores) é errado, e não deve ser esquecida quando abordamos a discussão do que aconteceu na França

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  93. A tão almejada liberdade (inclusive de expressão) requer o exercício do respeito e da responsabilidade. Os extremismos, sejam armados ou não, é que geram os preconceitos, os conflitos e as mortes indevidas.

    Um belo texto que nos dá oportunidade de reflexão e amplitude à respeito do assunto.

    Fiquei feliz pelo alto nível dos comentários e opiniões. Parabéns.

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  94. Nossa, fazia tempo que nao lia um texto-argumento tao bom! Simplesmente sem palavras, parabens!

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  95. Cara, não vem com essa. O que são piadas perto do que o islamismo faz, e sim, de modo geral? As exceções é que são boas em se tratando disso. Tenha dó. Quantos quadrinhos nacionais cagam na nossa cultura cristã e alguém faz o que? quem não gosta critica como é criticado e pronto. O porta dos fundos é um exemplo que as vezes força a barra com um discurso provocativo, quase sempre vazio e apelativo. E daí? Esses caras não gostam do que é diferente. Estados muçulmanos são os únicos do mundo que se declaram não laicos. São Estados Islamicos. O irã, o Afeganistão. tudo. E é assim: atriz pornô libanesa? Ameaça de morte. Piada norueguesa? ameaça de morte. Um americano queimou uma bosta de alcorão? Ameaça de morte. Vá morar lá nesse mundo de gente fundamentalista e tapada, se acha que essa mitologia do ódio deles tem algo de sagrado. O maomé foi um grande de um picareta. isso sim. Quem não gosta vai fazer o que, me matar? ah, tenha dó. brasileiro dando corda pra islan, querendo ser o ponderador intelectual.

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  96. Se tem algo em tom de mimimi aqui é o texto.

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  97. Parabéns pela lucidez e coragem de postar esse texto! Estou curioso para saber se alguém assumira essa revista de "humor" e se dará continuidade aos tópicos religiosos!

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  98. Islã virou a religião dos proletários. Saudades da esquerda antirreligiosa

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  99. Sugiro fazer um texto sobre a pena de morte para apostasia (abandono da fé islâmica) em muitos países islâmicos. Que tal o fato do ateísmo ser proibido em 7 países, todos de maioria islâmica. E a perseguição a minorias religiosas como drusos, cristãos, ahmadis, bahais etc. Será que não merecem também nosso respeito?

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  100. Caro Saldaña,
    Acrescento mais uma consideração. Não creio que seja questão de censurar, mas sim de promover boas maneiras. Charlie Hebdo nunca deve ser censurado. Mas as pessoas devem buscar refinar os seus gostos e suas preferências a ponto de não o ler mais.
    Abraço,
    Bruno

    PS: fica a dica de leitura: http://www.nytimes.com/2015/01/09/opinion/david-brooks-i-am-not-charlie-hebdo.html

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  101. será que poderia ser evitado? nesse ponto existe algo que quase que limpa a culpa dos assassinos!!! como saber se poderia ser evitado? tá prevendo? mãe diná? coloca a culpa nós assassinados. há que se repensar a questão da fobia com relação ao islã. deve ser considerada a qtde de islâmicos no mundo e qtos por cento são considerados radicais. tlvz até definir o que é ser radical. é pegar em armas e matar? é promover o ódio contra o outro da diferença? é contribuir financeiramente? é concordar com atitudes violentas contra os que não concordam com certa posição?
    bem, o mais importante é não jogar sobre os corpos mortos a culpa por seus assassinatos. atenção!

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